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sexta-feira, setembro 13, 2013

Andréa e Natália Biancovilli

Natália à esquerda e sua irmã bivitelina Andréa Biancovilli
"Quando nascemos em 1977, diz nossa mãe que não era tão comum fazer ultrassom nos primeiros meses de gravidez, então ela só ficou sabendo que eram dois bebês, bem no finalzinho da gestação. Todos ficaram muito surpresos quando souberam. Criou aquela expectativa em dobro, e todos se mobilizaram para ajudar: nossa avó pediu licença do trabalho durante um ano (ela era merendeira) e ficou ajudando a cuidar de nós duas.

Nossa mãe adorava nos vestir como um par de jarras, como se costuma dizer. Só as cores variavam, mas os modelitos eram sempre iguais. Também o corte de cabelo tinha que ser igual. Recebíamos alguns apelidos, e um que me lembro bem era Ruth e Raquel. Nós gostamos do apelido Tico & Teco, e até chegamos, em um de nossos vários empreendimentos juntas, a dar esse nome à nossa empresa de panfletagem.

O ponto negativo é a comparação entre os gêmeos: quem está mais magra, quem é mais ou menos nisso ou naquilo... Fora isso, entre os gêmeos mesmo, entre os dois, não há pontos negativos. Pra mim, casos de irmãos gêmeos que não se dão bem estão só na ficção. Exemplos: o livro Esaú e Jacó de Machado de Assis, e as novelas globais Mulheres de Areia com Glória Pires vivendo as gêmeas Ruth e Raquel, e Viver a Vida com Mateus Solano interpretando os gêmeos Miguel e Jorge.

Nossas personalidades são diferentes e iguais ao mesmo tempo. Por um lado, temos os mesmos interesses: nós duas escrevemos e utilizamos um pseudônimo em comum, Atma, para assinar nossos livros: em alguns eu sou a escritora principal e a Natália a revisora, e vice-versa. Pensamos muito parecido na maioria das coisas, mas a Natália é mais explosiva do que eu. Mas isso, acredito, é um complemento, porque, na nossa empresa é preciso um equilíbrio: uma mais explosiva, que sai mais em campo, e outra mais concentrada na rotina e disciplina. Temos um excelente relacionamento.

O que todos acham mais engraçado é que a gente sempre inventou vários empreendimentos juntas: já abrimos uma empresa de panfletagem, de bijuterias, etc, até percebermos que estes empreendimentos anteriores eram uma espécie de treinamento para nossa empresa atual, que começou mais ou menos assim: Eu estava grávida da minha filha, e Natália chega à minha casa com um livro que ela tinha acabado de escrever, pedindo que eu lesse tudo e revisasse. Ela tinha mandado imprimir e encadernar. Foi o primeiro livro dela, "Sensibilidade - o diário de uma jovem mística" - este eu entrei como revisora. De lá para cá, há oito anos, a ideia de escrever foi ganhando força e não parou mais.

Até que um dia, depois de certo tempo sem escrever e tentando distribuir o livro Sensibilidade sem editora, a Natália me liga e diz, "Andréa, vamos abrir uma editora? Só que vai ser de livros digitais!" Daí surgiu a Editora Biancovilli, na qual somos sócias há dois anos. Acreditamos que nascemos juntas com essa missão de escrever "histórias que fazem bem para a alma", nossa linha editorial" Andréa Biancovilli

"Eu acho muito legal ser gêmea! Por mim, usaríamos roupas iguais até hoje! Andréa e eu fazemos tudo juntas praticamente. É muito divertido ser gêmea, sempre gostei muito!! Acho uma sorte muito boa nascer gêmea!" Natália Biancovilli

Filhas de Elizabeth e Nilo Sérgio, as gêmeas Andréa e Natália Biancovilli são bivitelinas, proprietárias da Editora Biancovilli e moram no Rio de Janeiro / RJ.

Site: www.biancovilli.com
Blog: http://www.biancovilli.blogspot.com.br
Contato: biancovilli@biancovilli.com
Twitter: @Ed_Biancovilli

segunda-feira, agosto 12, 2013

Maria Fernanda e Maria de Lourdes

"Gêmeas e grandes amigas"

'Melhores amigas', assim podemos definir a nossa relação de irmãs univitelinas. Nascemos em Portugal, na década de 1950, e viemos para o Brasil ainda bebês. Como acontecia antigamente, nossa mãe só soube que esperava dois bebês, na hora do parto. Naquela época, nascimento de gêmeos era novidade, não era comum, então foi um grande acontecimento para toda a família. Moramos até a nossa adolescência em Campo Mourão, no Paraná, e com 15 anos fomos para a capital paulista.

Apesar de sermos bem parecidas, temos personalidades distintas e talvez por isso, usamos roupas iguais somente até os seis anos de idade. Além disso, temos gostos diferentes, como na hora de escolher uma roupa. Eu (Maria Fernanda) sempre fui mais dependente da minha irmã (Maria de Lourdes). No tempo de escola, a gente fazia lição juntas e brigávamos muito, mas logo fazíamos as pazes, afinal não temos outros irmãos. Talvez esse seja o ponto negativo de irmãos gêmeos: um ser tão dependente do outro.

Nós somos professoras e lecionamos na mesma escola durante 28 anos, porém, para turmas diferentes. Eu fiz Magistério e Pedagogia e minha irmã cursou Educação Artística. Era muito bom trabalharmos na mesma escola, mas os alunos confundiam a gente o tempo todo. Até tivemos que montar uma estratégia para não dar confusão, pois os alunos olhavam uma de nós indo embora e achavam que não iriam ter aula naquele dia. Por isso, a gente combinava de sair e entrar na escola por portas diferentes.

Mesmo assim, aconteciam situações engraçadas. Um aluno da minha irmã chegava falando sobre a matéria dela, por exemplo. Eu escutava e falava: “tudo bem, eu passo pra minha irmã o seu assunto”, e os estudantes tomavam um susto. Até hoje as pessoas ainda nos confundem muito. Apesar de todas as confusões, adoramos ser gêmeas. Nós somos amigas e companheiras pra tudo, pois uma sempre ajuda a outra. É muito bom ter uma irmã gêmea"

Relato enviado por Maria Fernanda Branco Fontainha (mãe das gêmeas Mariana Branco e Fabiana Fontainha, editoras do blog Mamãe Prática. Maria Fernanda é gêmea idêntica de Maria de Lourdes Varandas Branco Catão – São Paulo / SP.

quarta-feira, julho 31, 2013

Fabiana e Mariana

(As gêmeas Fabiana e Mariana com a pequena Manuela, filha da Mariana)

Irmãs gêmeas compartilham a experiência da maternidade

Dizem que irmãos gêmeos univitelinos têm muitas coincidências ou, pelo menos, vivem situações parecidas, e esse tem sido o nosso caso. Desde muito novas, sempre tínhamos os mesmos amigos e interesses e, por isso, sempre fomos grandes amigas. Quando fomos cursar faculdades diferentes e começamos a trabalhar foi a primeira vez que deixamos de ter o convívio diário, tão próximo, como antes. Mas apesar disso, nós optamos pelo mesmo curso (jornalismo) e, coincidências à parte, nós duas casamos com jornalistas.

Com o tempo a vida fez com que a Mariana se mudasse a trabalho para Curitiba (nós somos de São Paulo). Isso foi há mais de dez anos e, há cerca de um ano, ela teve a pequena Manuela. Já, eu (Fabiana), continuo morando em São Paulo e acabo de ter meu primeiro filho, o Sergio. É muito ruim não termos mais a convivência diária, mas nos falamos quase todos os dias e estamos sempre 'conectadas', seja online ou mesmo em pensamento.

Como mães de primeira viagem, estamos vivenciando ao mesmo tempo, a experiência da maternidade e, portanto, ainda mais próximas. Acabamos de lançar o blog Mamãe Prática, que tem a proposta de reunir notícias, entrevistas, depoimentos, dicas e reflexões sobre a maternidade, com uma boa pitada de bom humor. Inicialmente, a ideia do site foi da Mariana e depois que engravidei, praticamente fui 'intimada' a fazer parte desse lindo projeto. Hoje é muito gratificante poder escrever e dividir com outras mamães os temas que envolvem gravidez, amamentação, preocupações e dilemas da maternidade.

Nossa infância - Ser gêmea é algo engraçado, todo mundo fala: 'olha, são gêmeas', 'são iguaizinhas', 'ah, mas essa tem uma pinta e a outra não', 'essa é mais alta' e por aí vai, mas sempre levamos esse tipo de comentário numa boa. Acho que com o tempo nos acostumamos a isso... Acreditamos que pelo fato da nossa mãe também ser gêmea, ela soube nos criar de uma maneira tranquila, considerando as diferenças e personalidades de cada uma, afinal somos apenas duas irmãs muito parecidas. Por exemplo, nunca nos vestíamos iguaizinhas, as roupas podiam até ter o mesmo modelo, mas as cores eram diferentes.

(Maria Fernanda, à esquerda, e Maria de Lourdes, na festa de seus 60 anos)

Do outro lado do oceano - A história da nossa mãe começa há mais de 63 anos, em Portugal, quando ela (Maria Fernanda) e a nossa tia (Maria de Lourdes) nasciam em Coimbra, Portugal. Gêmeas univitelinas, elas foram as únicas filhas dos nossos avós (Maria José e Manoel Branco). As duas 'Marias' sempre foram como 'unha e carne' e até hoje vivem 'grudadas', moram há poucos metros uma da outra e fazem tudo junto. Para nós a tia Maria de Lourdes (que não teve filhos) é como uma mãe e até os nossos maridos brincam dizendo que têm duas sogras!

Nossos avós viveram uma época de grande recessão e dificuldade em Portugal, por isso, juntaram-se a milhares de outros imigrantes e vieram para o Brasil no início da década de 1950, antes mesmo de a nossa mãe e tia completarem um ano de vida. E o mais improvável aconteceu em 18 de agosto de 1978 quando nossa mãe, já casada, deu à luz a gêmeas. No oito meses de gestação e crise de pressão alta, foi um parto cesariana de emergência que surpreendeu a todos quando o médico disse 'são duas!', afinal todo mundo acreditava que a nossa mãe teria somente um meninão. Como o enxoval tinha sido feito apenas para um bebê, a família teve que se mobilizar para poder acomodar, de última hora, as duas crianças!

Quando eu e a Mariana ficamos grávidas a primeira coisa que perguntamos na hora do ultrassom foi 'é um só mesmo?'. Por enquanto o destino não quis que fôssemos mães de gêmeos, mas se isso acontecer no futuro, acreditamos que vamos saber lidar de forma natural, afinal fazemos parte de duas gerações de irmãs gêmeas! Muito bacana poder compartilhar um pouco da nossa história!" Fabiana

Mariana Branco, que vive em Curitiba, nasceu oito minutos depois de Fabiana Fontainha, que mora em São Paulo. Ambas são jornalistas e editoras do blog Mamãe Prática. 

sexta-feira, junho 14, 2013

RDOIS Por Roger e Rogério Corrêa

Foto Peterson Escopeto
"Somos os gêmeos univitelinos Roger e Rogério Corrêa, nascidos em Taquaritinga, interior de São Paulo, dia 18 de setembro de 1986. Na infância éramos muito arteiros, mas descobrimos logo cedo nosso talento para dançar, compor, cantar e nossa habilidade para aprender tocar instrumentos musicais. Aos 6 anos já participamos da "bandinha" da escola onde tocávamos "caixinha e tom". A partir daí, começamos a nos interessar mais por música e dança. Aos 14 anos entramos num projeto de dança que tinha acabado de inaugurar na cidade, e foram 10 anos dedicados aos movimentos do corpo.

Aos 16 anos, recebemos o convite de um amigo para montar uma banda com o estilo Pop Rock, e sem pensar muito aceitamos e começamos os ensaios. Chegamos a tocar em toda região e fazer shows em todos os lugares de Taquaritinga. Certo dia (aos 19 anos) enquanto tocávamos e cantávamos nossas composições para alguns amigos, percebemos que estava na hora de formamos uma dupla e gravar nossas próprias letras – foi aí que surgiu a RDOIS. Era uma boa oportunidade de realizar um sonho em comum. Então, começamos a compor e a cantar músicas românticas. Gravamos três canções e divulgamos na internet.

Depois de muitos ensaios, gravações e divulgações na internet, fomos convidados para trabalhar com a cantora Perlla no Rio de Janeiro. Fomos contratados como back vocals e dançarinos, viajamos por todo o Brasil, se apresentando e conhecendo artistas, produtores e novos amigos do show business. Depois de três meses, voltamos para Taquaritinga, para darmos continuidade ao nosso projeto RDOIS. O produtor Léo Alvez do cantor D’Black viu uma apresentação nossa e a partir daí, nossa vida mudou radicalmente.

Nossas músicas passaram a tocar nas rádios todos os dias e shows eram marcados com frequência. Depois de um tempo, nosso produtor teve que mudar para a Bahia e assim ficamos sem apoio profissional. Foi uma fase muito difícil. De qualquer maneira, adquirimos experiência e ainda continuamos com o nosso sonho de viver de música. Acreditamos que o melhor está por vir.


Em 2009, gravamos nosso primeiro sucesso: VOCÊ. Em 2010, gravamos nosso primeiro Clipe Oficial com o produtor Léo Alves com a música SEM PRESSA DE VOLTAR.  Em 2011, gravamos a versão em português da música NÃO VIVO SEM VOCÊ do grupo BackStreet Boys. Em 2012, gravamos um clipe com participação especial de Tamy Lavrini com a música CORRE PRA CÁ. Nosso mais recente trabalho é EM MEUS BRAÇOS.

Na infância usávamos roupas iguais, até o Rogério decidir escolher seu próprio estilo e hoje nos vestimos diferentes. É muito bom trabalhar com alguém tão parecido em todos os aspectos. O lado bom é que um completa o outro, mas sempre somos confundidos, ninguém consegue descobrir quem é quem, chega ser engraçado.

Ainda bem que escolhemos a mesma carreira, pois temos o mesmo sonho profissional. Respiramos música, acordamos e dormimos pensando em música: este é o nosso destino". Roger

Os gêmeos Roger e Rogério são filhos de Cleide de Carvalho Corrêa e Rogério Sebastião Corrêa. A família vive em Taquaritinga / SP
Banda RDOIS - E-mail: rogerrdois@hotmail.com
Twitter: @RogerRdois @GeroRdois @_Rdois

segunda-feira, abril 22, 2013

Gerdel Oliva de Indaiatuba (SP), procura família biológica

(Gerdel e Jessé com os pais adotivos Miguel Oliva e Rosa Spina)

"Eu e Jessé somos bivitelinos e nascemos em 17 de julho de 1964 no Hospital Augusto de Oliveira Camargo em Indaiatuba, interior de São Paulo. Mas, fomos registrados dia 23/07/1964 como filhos legítimos pelos nossos pais adotivos Miguel Oliva e Rosa Spina. Minha mãe adotiva já tinha 19 filhos – dos quais três já haviam falecidos. Depois de perder 3 filhos, Deus colocou no coração dos meus pais, o desejo de nos adotar. Eles ficaram felizes com a possibilidade, mesmo já tendo 16 filhos vivos.

Um casal de médicos queria nos adotar, mas desistiram porque estávamos muito doentes. As madres do hospital tinham o hábito de vender bebês para casais interessados em adoção – mas como sabiam que nossa família era cristã, elas não falaram em pagamento – e nos entregaram sem problemas.

Fomos bem recebidos e bem criados – pois, papai e mamãe já eram aposentados, tinham uma vida tranquila e nos tratavam como os príncipes caçulas. Aos 10 anos ficamos sabendo da adoção, mas nunca fomos atrás de informações sobre nossa família biológica em respeito aos nossos pais adotivos.

Por volta de 2002, depois que eles faleceram, comecei minha busca pessoal por informações sobre o nosso nascimento. Fui ao hospital e descobri que os dados que constavam no livro de registro não eram verdadeiros. Lá constava o nascimento de duas meninas – uma história que as madres inventaram para esconder dados da minha família biológica.

Segundo o Hospital Augusto de Oliveira Camargo (onde nascemos), minha mãe biológica havia morrido no parto e que a família dela era muito carente, tinham muitos filhos e poucos recursos. Como não tinham condições de nos criar, a família optou por nos entregar à adoção. Todavia, essa história foi descartada, pois fui atrás dessa mãe que morreu no parto – eu descobri que ela tinha tido duas meninas gêmeas e não meninos. Descobri também que na época, as madres costumavam trocar os registros de nascimento.

Conheci a enfermeira (já falecida) que cuidou da minha mãe biológica, que me contou uma história distinta. Ela disse que minha mãe era uma moça linda, rica e que não queria nos doar. Mas, o pai dela (meu avô biológico) não quis que ela ficasse conosco, porque tinha apenas 15 anos de idade, era solteira e nosso pai biológico não era bem vindo à família.

Rosa Spina Oliva Neta
Logo depois do nosso nascimento, minha mãe biológica foi embora e pediu para a enfermeira – que fossemos adotados por uma família que tivesse uma boa condição financeira, para poder cuidar de nós com mais conforto. Na ocasião, a enfermeira ainda ressaltou que para adotar dois bebês de uma só vez, teria de ser mesmo uma família com recursos. A enfermeira conheceu minha filha Rosa e disse (impressionada) que ela se parece muito com a minha mãe biológica.



Ainda desejo muito encontrar informações verdadeiras a respeito do meu nascimento e dados da minha família biológica. Caso alguém tenha algum indício dessa história, por favor, entre em contato através do meu e-mail: gerdeloliva@bol.com.br

Deus abençoe pelo espaço, Gerdel Oliva"

Indaiatuba / SP

terça-feira, abril 09, 2013

Kesia Pompeu

Caros leitores,

Eu já apresentei minha irmã gêmea aqui e sempre desejei que ela enviasse um relato, para que vocês conhecessem o ponto de vista dela também, mas nunca insisti. Hoje, nós completamos 44 anos e ela resolveu me fazer uma surpresa. É com muita alegria que compartilho abaixo, o meu presente: 

"Como gêmea, me sinto abençoada por ter sido concebida naturalmente, pois nascemos numa época em que não existiam técnicas de reprodução assistida.


Mamãe soube que esperava dois bebês na hora do parto, em 9 de abril e 1969. Por ter nascido dez minutos depois de você, sempre te vi como a irmã mais velha, a mais experiente. Lembro que na infância, eu queria ser a 'segunda' em tudo, para poder te observar e daí então, seguir seus passos.

Eu me sentia insegura quando não tínhamos as mesmas coisas (roupas, brinquedos) porque fomos criadas para sermos iguais em tudo. Havia uma expectativa dos nossos pais - e dos adultos próximos - que tínhamos que ser iguais – nas preferências, no comportamento, na personalidade e nas escolhas. Afinal, éramos 'as gêmeas', não nos viamos como dois individuos separados. Por exemplo, quando ganhavamos sapatinhos, os pares tinham que ser iguais. Nunca ganhavamos presentes diferentes. Porque você não podia ganhar um par de sapatos e eu um vestido, entende?

Lembro também que você sempre foi mais organizada do que eu - e hoje a desorganização me incomoda. Acabo cobrando muito de quem convive comigo. O lado bom de ser gêmea é que sempre tive uma companheira para brincar, uma companhia para ir à escola. Mas o lado ruim é que quando uma aprontava, as duas recebiam castigo. Quando podiamos passear e uma fazia alguma malcriação, pronto – ninguém mais saía de casa. Era chato.

Eu sempre busquei ser independente, comecei a trabalhar muito cedo e por isso decidi aproveitar a oportunidade de estudar nos EUA quando tínhamos apenas 16 anos. Nessa época você namorava e escolheu ficar no Brasil. Você se dedicava aos seus poemas, crônicas e desenhos, que alias, eram lindos. Nunca tive esse dom. Eu te via como uma sonhadora romantica e eu, mais realista. Eu tinha uma rotina muito corrida no exterior. O tempo passava voando, e por isso, acho que foi mais fácil administrar a saudade que eu sentia de você.

Na verdade, eu racionalizava e ainda racionalizo. Apesar de estarmos longe uma da outra, na minha cabeça, sempre estivemos juntas. Você aí, ocupada com a sua vida e eu aqui ocupada com a minha – mas ligadas no pensamento. (Eu sei que lidamos com a saudade cada uma de um jeito). Você é mais emoção do que eu. Você é mais introspectiva, aprecia o silêncio, gosta de ficar sozinha. Eu adoro gente, barulho, festa e uma boa bagunça. Somos muito diferentes mesmo e eu acho ótimo, pois não sofremos mais aquela pressão de que temos que ser iguais em tudo. Ninguém mais nos vê como 'as gêmeas' e ainda bem. A única semelhança é a nossa voz, né?

Apesar de termos mais contato virtual, acho que nossa relação é normal, tranquila, exceto no dia do nosso aniversário. Ahhh, eu odeio comemorar o nosso aniversário sozinha. Não comemoramos juntas há muitos anos. Mesmo quando faço uma festa com vários convidados, não vejo a menor graça, porque você não está ao meu lado. É sempre uma comemoração capenga, pela metade.

Enfim, não fiquei surpresa quando você criou este blog – porque você sempre foi criativa mesmo. Além de contribuir socialmente, o "Vizinhos de Útero" tem tanta informação interessante e histórias comoventes que a gente não consegue parar de ler. Por isso, nunca desista desse projeto, viu? Sua dedicação e perseverança me enche de orgulho. Feliz aniversário para nós duas!!" Kesia.

Kesia Pompeu vive em Miami com o marido (Marcio Freitas) 
e as filhas, Carolina e Letícia

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Deyse Crystine e Dayse Crystiane de Campos

(Deyse e Dayse com a mãe, Ivonete Mendes de Campos)

“Certa vez, estava conversando com a professora e psicopedagoga argentina, Alicia Fernández e em dado momento eu disse: ‘eu tenho uma irmã gêmea’. Ela me chamou atenção para a questão da linguagem, dizendo que é raro um gêmeo dizer eu tenho um irmão gêmeo. A maioria diz ‘eu sou gêmeo’ – porque sua identidade se funde, se confunde e se associa a identidade do outro.

Ela percebeu um detalhe importante: ao falar "eu tenho" o gêmeo reconhece a identidade do outro sem sobrepor ou negar a sua exclusividade. Já ao falar "eu sou" é como se a sua identidade só é o que é em função da identidade do outro... Parece papo de doido, mas gêmeos sabem bem o que é isso de TER um irmão gêmeo e de SER gêmeo!

Isso foi relevante! Uma espécie de reconhecimento público da minha busca tanto pela valorização da existência semelhante quanto da existência exclusiva. Essa busca, obviamente, começou desde o nascimento, mas teve seu ponto alto quando minha irmã foi morar no exterior, onde ficou pouco mais de um ano.

Eu não sabia viver sem ela. E pior, não me sentia importante para as outras pessoas, tinha a impressão que só me sentia útil quando estava ao lado dela. Estava em crise! Fiz: terapia, novos amigos, novas escolhas, pratiquei yoga, saltei de paraquedas, mergulhei, cortei o cabelo, arrisquei a mudar o visual, aprendi a dizer não (embora ainda tenha preferência pelo sim). Segui alguns caminhos. Aprendi. De lá pra cá, acredito que amadureci um pouco e, principalmente, me senti gente de verdade. Feita de carne, osso e incoerências.

Minha mãe (Ivonete Terezinha Mendes de Campos) sempre quis ter gêmeos. Ela fez tudo que é simpatia para ter e teve. Meu pai (Sergio Klaar de Campos) fala pouco, mas acho que foi um susto, afinal, agora teria que pensar tudo em dobro. Meu irmão (Sérgio Klaar de Campos Junior) tinha 5 anos quando eu e minha irmã nascemos. Costumo brincar que ele não se recuperou desse trauma até hoje. Ora, foram cinco anos reinando absoluto e "de repente" ele perdeu o colo do pai e o colo da mãe de uma só vez.

Nascemos em 28 de setembro de 1976, somos univitelinas e na infância, vestíamos roupas iguais. Mas hoje, já adulta, refletindo sobre o assunto, cheguei à conclusão que é muito difícil não vestir igual, especialmente na infância – ainda mais sendo idênticas.

Situações pertinentes a padrões sócio culturais atingem ambas e em função da faixa etária, das semelhanças físicas, das normas, influências e até exigências da mídia e de consumo vão gerar um gosto comum. Sendo assim, é difícil selecionar roupas diferentes – mesmo sendo modelos iguais com cores diferentes. Até porque as crianças podem gostar das mesmas cores e estilos de roupas – sendo gêmeos ou não. O que vai ajudar os gêmeos a se diferenciar não está essencialmente na roupa ou ainda na separação de salas de aula.

O lado positivo de ser gêmea é que há uma sintonia maior entre nós. O lado negativo é a dificuldade para se construir a própria identidade, passando por uma forte cumplicidade com altas doses de competitividade.

Nosso relacionamento é bom, mas frequentemente eu me incomodo mais em algumas situações do que a minha irmã. Às vezes penso que eu privilegio a diferença e a minha irmã prioriza a semelhança, isso causa um curto circuito” Deyse

Deyse Crystine e Dayse Crystiane de Campos moram em Curitiba / PR

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Felipe e André da Silva

(Felipe e André com 1 ano de idade)


"Olá, descobri o blog há duas semanas e gostei muito.

Eu e o André somos bivitelinos, nascemos em 17 de julho de 1988. Nossa história começa depois que nossos pais tiveram o Samuel (30 anos) e a Bianca (28 anos). Ambos são muito parecidos com meu pai, olhos e cabelos claros. Minha mãe queria muito ter um filho parecido com ela...
Então, ela pediu a Deus e engravidou.

Uma semana antes do nosso nascimento, ela ficou sabendo que eram DOIS bebês. Eu nasci muito parecido com meu pai, mas finalmente, veio um filho parecido com minha mãe, meu irmão gêmeo André. Sempre brinco que a mãe gosta mais dele porque ele foi planejado, eu vim de intrometido, rs. Quando tínhamos 9 meses de idade, minha mãe engravidou da minha irmã Monique.

Quando éramos pequenos, nossa mãe nos vestia com roupas iguais, mas sempre fomos muito diferentes, tanto na aparência quanto na personalidade. O André sempre foi mais bagunceiro e eu mais organizado, por isso brigávamos bastante. Compartilhar o mesmo quarto não foi bom.

Estudamos juntos apenas três anos, porque o André foi reprovado na 2ª série. A partir daí seguimos rumos diferentes, cada um com seus amigos e suas escolhas. Eu estou casado e ele está solteiro, e nossa relação é normal.

Vale contar também que minha avó materna (Ana Lídia Ghisleni de Azeredo) teve um casal de gêmeos, a tia Beti e o tio Guto, hoje com 54 anos, se não me engano. Até os 12 anos, passávamos juntos as férias escolares na casa da tia Beti" Felipe

"Sou doze minutos mais experiente que o Felipe, apesar dele ter nascido maior. Não mudamos muito, hoje ele ainda é maior que eu, mas temos a mesma altura. Um ponto positivo de ser gêmeo é que na infância, tive alguém da mesma idade para brincar – gostávamos das mesmas brincadeiras. Mas, penso que irmão é irmão – não importa muito se é gêmeo ou não" André.

(Os pais, João Batista e Maria Beloní Azeredo)

"Quando soube que teria filhos gêmeos fiquei muito feliz, foi como se tivesse ganhado na loteria" diz o pai, João Batista da Silva. "Chorei de alegria e ao mesmo tempo de preocupação. Foi uma surpresa! Na hora do parto abracei o médico e ele me confortou. O trabalho é dobrado, mas a alegria é incomparavelmente maior. Nunca imaginei ter gêmeos, me senti a única grávida do planeta, me senti honrada por Deus, pois pedi à Ele um filho parecido comigo e ganhei DOIS - um parecido comigo e o outro parecido com meu esposo" diz a mãe, Maria Beloní Azeredo da Silva.

Felipe Meert da Silva é gêmeo de André da Silva e vivem em São Leopoldo / RS

terça-feira, novembro 06, 2012

Laura e Lúcia Geraidine Cini

(As gêmeas Laura e Lucia com os gêmeos Robson e Rogério)

Laura e Lúcia Geraidine Cini - Uma história de realizações.

Univitelinas, as gêmeas Laura e Lúcia nasceram em Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro aos 27 de fevereiro de 1959. Prematuras e com broncopneumonia, o pai (Mario Cini) acreditou que elas não sobreviveriam.

De uma família de cinco filhos, elas nasceram de parto normal, enquanto que os outros três foram cesarianos. Desde pequenas eram muito arteiras.

A mãe (Gizete Apparecida Geraidine Cini) contava que Laura e Lúcia ficavam no berço tagarelando, rindo muito, como se estivessem conversando e compreendo tudo que a outra falava - apesar de ninguém entender nada, pois eram bebês.

Vestiam roupas iguais, mas com o tempo a mãe foi trocando apenas a cor das roupas, permanecendo com modelos iguais. Sempre estudaram juntas.

No antigo ginásio, os professores acharam melhor separar as irmãs, pois entendiam que era o mais acertado, e que ajudaria na descoberta da personalidade individual de cada uma. Mas, no caso de Laura e Lúcia, não adiantou. Elas se juntavam na mesma sala para assistir às aulas, juntas. Resultado: no ano seguinte as gêmeas foram colocadas na mesma turma.

Cresceram inseparáveis, apesar de terem personalidades distintas. Lúcia com gênio bem mais forte, mais nervosa que Laura. Até hoje, elas brigam, discutem, se afastam, mas acabam sempre voltando e fazendo coisas juntas.

Elas moravam em São Paulo e em vários momentos tentaram cada uma seguir seu caminho, mas sempre foram atraídas para o mesmo espaço. Parece até que havia um ímã que fazia com que ambas voltassem ao mesmo ambiente.

Aos 21 anos, Lúcia resolveu morar no Rio de Janeiro, mas logo voltou para São Paulo. Quando Laura se casou, uma semana depois Lúcia também havia se casado. Sem qualquer aviso deste casamento, Laura teve de voltar de sua lua de mel para assistir a cerimônia de Lúcia.

Laura teve dois filhos. Lúcia dois, sendo um biológico e outro adotivo. Em 1985 Lúcia se divorciou e voltou para Barra Mansa. O mesmo aconteceu com Laura em 1988. Laura começou a pedalar e logo em seguida Lúcia também sentiu interesse pelo ciclismo e pelo divertimento que ele proporciona.

Ambas começaram a fumar na época da escola e assim o fizeram por 32 anos. Mas, em 03 de outubro de 2008 Laura parou de fumar. Três dias depois Lúcia também parou. Ambas contaram com o apoio de profissionais da saúde, através do Programa Antitabagismo de Barra Mansa.

Morava uma ao lado da outra até 2011 quando precisaram mudar. Lúcia conseguiu comprar sua casa num bairro muito gostoso, e, por incrível que pareça, Laura conseguiu achar uma casa no mesmo bairro, no mesmo quarteirão.

Hoje, aos 53 anos, as irmãs idênticas praticam ciclo-turismo. Todos os finais de semana e feriados elas pedalam em vários lugares. As vezes perto, as vezes longe. Laura e Lúcia já pedalaram até Minas Gerais e o objetivo delas é não parar.

Relato enviado por Laura Geraidine Cini, gêmea idêntica de Lúcia Geraidine Cini.

Barra Mansa / RJ

quarta-feira, outubro 17, 2012

Vitória e Ana Pinatto

(Vitória e Ana aos 57 anos)

(Vitória e Ana aos 53 anos)

"Em 11 de fevereiro de 1954, minha mãe (Maria da Glória Fonseca Pinatto) deu a luz a minha irmã Angélica. Ainda na "quarentena", ela engravidou de nós. Ou seja, minha mãe teve 3 filhas em um ano.

[Mamãe faleceu aos 55 anos em 28/10/1975. Nós tínhamos 19 anos quando ela se foi. Ela era uma mulher muitíssimo generosa, solidária, meiga e muito chorosa! Saudade!]

Nascemos em 19 de fevereiro de 1955, em um sábado de carnaval, enquanto nosso pai (Benedito Pinatto) tocava com a sua orquestra em um clube famoso de Limeira, interior de São Paulo, conforme foto abaixo.

Eu nasci pesando 1.100 kg e Ana com 900 gramas. Eramos tão pequenas que achavam que não sobreviveríamos. Cabíamos dentro de uma caixa de sapatos. Para que sobrevivêssemos, tivemos muitas mães de leite. Uma delas que conheço ainda está viva. Seu nome é Maria Mercuri. Somos saudáveis até hoje.

Na ocasião ainda não existia ultrassom. Só descobriram que minha mãe estava grávida de gêmeas univitelinas, no momento do parto. Eu me chamo Vitória Pinatto e minha irmã Ana Pinatto. Sempre fomos muito unidas, desde sempre. Nossa mãe nos vestia iguaizinhas. Éramos muito fofas e muitíssimos parecidas. Também brigávamos.

Lembro-me de um dia estarmos sentadas no quintal chupando laranja. Eu descasquei a minha laranja e falei para minha irmã que estava com vontade de cortar a perna dela, e, num segundo, passei a faca na perna dela. Não foi um corte fundo, mas ainda aparece a cicatriz.

Outro evento foi quando estávamos no pré-primário e havia uma bandinha na escola. Como ela gostava do meu instrumento e eu do dela, trocamos os instrumentos e posições na bandinha e ninguém descobriu. Tive um namorado que uma vez achou que a Ana era eu e ele a beijou. Mas eu acho que ele sabia, sim! Essa dúvida sempre permanecerá.

Quando trabalhava, ela se passou por mim no escritório e foi a maior surpresa para meu chefe! Existem muitas outras histórias divertidas. Eu sempre fui a pioneira na família. Quando viajei para a América do Norte em um programa de intercâmbio, minha irmã sentiu muito a minha falta. Quando me mudei de Limeira para São Paulo, em um ano ela já estava lá morando comigo.

Há três anos retornei para minha cidade natal (Limeira) e em um ano ela também retornou. É incrível a nossa ligação. Somos tudo uma para a outra. Acho que o casamento dela terminou por ciúme do marido por mim, pois sempre estávamos juntas. Eu acho que diferimos pouco na personalidade. Concordamos em muitas coisas.

O único aspecto negativo que vejo em ser gêmea é o fato de Ana desencarnar antes de mim e vice-versa. Só assim nós nos separaremos. Peço a Deus que nos leve juntas, para que nunca fiquemos separadas. Um abraço!" Vitória

“Certo dia estava fazendo um curso, e umas 2 horas antes do encerramento, tive um aperto no peito, um nervosismo, ansiedade, mas não sabia o que era. Minha intuição me fez ligar para a Vitória que estava em casa. Ela disse que tinha que ir à padaria e naquele momento gritei, 'não saia de casa até eu chegar!' Vendo o meu desespero, o professor antecipou a finalização da aula e eu saí correndo. Minutos depois que cheguei em casa, ouvimos alguns tiros mas não sabíamos de onde vinham. Logo depois descobrimos que a padaria da qual ela iria, tinha sido assaltada. O dono foi baleado e perdeu um pulmão e outras pessoas foram feridas de raspão. Naquele momento tive a certeza de que minha intuição salvou minha irmã. Meu telefonema a impediu de sair de casa. Não sei se isso só acontece com gêmeos, mas acredito que pessoas muito ligadas de alma compartilham dos mesmos sentimentos. Nossa conexão é tão forte que temos medo de nos perder. Tenho outros irmãos, e com eles posso encarar a perda naturalmente, mas com a Vitória é muito difícil” Ana

Vitoria Pinatto é gêmea idêntica de Ana Pinatto

Limeira / SP

sexta-feira, setembro 28, 2012

Natalie e Renée Laufer

“Ser gêmeo é algo muito especial. Um presente que nos é dado e que nos faz aprender, refletir o tempo todo. Uma relação de simbiose, que implica numa inter-relação tão íntima, quase obrigatória.

O micro-universo formado pelos gêmeos pode ser pequeno, mas cheio de associações, ambiguidades, rivalidades, carinhos, companheirismo. Amor, cheiro, tato, olhar, tudo isso fortalece esse micro-sistema, cria um elo, uma cola. Como imãs que se atraem, não podem ser separados...

Um sistema de duas cargas de valores iguais, mais sinais contrários, o yin-yang, que permite a identidade, o complementar e ao mesmo tempo, o todo.

Ser gêmeo adulto é, além disso tudo, uma escolha. A vida nos coloca em caminhos diferentes, cidades, lugares, muitas vezes opostas e distantes. Manter esse universo fica sendo uma opção! Eu e minha irmã nos orgulhamos da opção que tivemos. Somos gêmeas até hoje!!!!

Foi pensando nisso que comecei a desenvolver um trabalho de fotografia. O universo dos gêmeos já atraiu muitos fotógrafos, mas sempre com um olhar no que é estranho ser igual. O que quero retratar em meu trabalho não é só a estranheza, mas a divisão de espaço, a sintonia, a simbiose, as múltiplas pernas e braços, o igual e único em simultâneo” Natalie

“Ser gêmea de Natalie foi uma das melhores escolhas que fiz na trama da minha vida. Carrego sempre que tecemos caminhos diferentes, cada uma indo na sua direção, mas aquele primeiro fio, que se dividiu em dois, esta lá, unindo nossas histórias, nossas escolhas” Renée

Natalie Laufer Salazar mora em São Paulo e sua irmã gêmea bivitelina, Renée Laufer Amorim, vive em Botucatu. (natalielsalazar@gmail.com)

segunda-feira, setembro 17, 2012

Denise e Débora Fernandes

“Eu e Débora somos idênticas. Nascemos em 05 de abril de 1986 com apenas dois minutos de diferença. Somos tão unidas, que desde pequenas fazemos praticamente tudo juntas!

Chegamos à fase adulta, e continuamos muito próximas. Estudamos na mesma faculdade, tiramos carta de habilitação juntas, fazemos os mesmos cursos, sempre dividindo a mesma sala de aula, e por duas vezes trabalhamos na mesma empresa. Hoje temos nossa própria empresa de eventos chamada T-Win Eventos.

Desde muito pequena a nossa ligação é de impressionar. Mania, roupas, preferências, gestos, crises de insônia....tudo muito parecido. Demos muito trabalho quando estávamos no primário. Nossos professores ficavam confusos, então nos colocavam em turmas separadas. Mas, a gente fugia e chorava horrores para ficar juntas.

Ainda recém-nascidas nossos pais colocaram brincos com cores diferentes para nos identificar. Ninguém conseguia saber quem era quem. Até hoje quando sentamos para ver as fotos ficamos tentando adivinhar e muitas vezes não acertamos. É muito engraçado. Apesar das nossas semelhanças, temos personalidades diferentes. Eu sou mais tímida e mais séria e Débora é mais afetuosa e extrovertida.

Há dois anos, ela fez um intercambio! Nossa. Eu nunca sofri tanto na vida. Fiquei dois dias sem trabalhar e um dia inteiro chorando dentro do quarto. Foi como se algo de mim tivesse sido arrancado. Depois que ela voltou tudo melhorou.

Mas, no ano passado, ela foi morar com o namorado. E lá se vai mais sofrimento. Separação de roupas (a gente dividia tudo), de rotina, muito choro e telefonemas soluçando. Às vezes chorávamos em silêncio ao telefone.

Pra quem não é gêmeo, devo imaginar que é difícil entender essa sintonia, porque realmente em palavras é impossível expressar tamanho amor. A Débora é meu vício, meu tempo livre e minha ocupação. Eu seria a pessoa mais perdida do mundo se ela não existisse, e só de pensar nessa possibilidade, sinto arrepios. Como espelho, somos reflexo uma da outra.

Claro que brigamos, como qualquer irmão, mas depois de cinco minutos nem lembramos mais o motivo e nos falamos como se nada tivesse acontecido.

O melhor de ser gêmea é este sentimento profundo de poder compartilhar tudo. A Débora sempre espera o melhor para mim, mas me aceita exatamente como sou. Ela foi, é e sempre será minha confidente e meu apoio. Ela me dá esperança e me ajuda muito. Te amo mais que tudo minha irmã!

Agradeço a Deus todos os dias por ter nascido junto com a minha melhor amiga, minha alma gêmea! Temos a nossa vida, nossos interesses, nossas metas e objetivos individuais, mas sempre caminhamos juntas, sem nos perdermos de vista.” Denise Fernandes

“A Denise é minha bateria. Sem ela não consigo respirar, viver e pensar. Eu acordo todos os dias e penso em como sou especial, eu tenho uma pessoa que é minha cara fisicamente, mas que é meu porto seguro, que me entende apenas com um olhar.

Uma frase que eu acho que descreve muito bem o que sinto por ela é: Não tenho todas as coisas que eu quero. Nem acho que me faltem muitas. Mas, agradeço a Deus diariamente, por Ele ter me dado a melhor irmã que existe. E como não bastasse - ainda é minha gêmea! Eu não preciso tirar a sorte grande na loteria, eu já fui abençoada e já ganhei o melhor prêmio do mundo!” Débora Fernandes

Denise e Débora são gêmeas univitelinas de São Paulo / SP

Site: t-wineventos.com.br
Contato: eventos.sp@t-wineventos.com.br
Fone: (11) 4111.9665

quarta-feira, setembro 05, 2012

Bárbara e Jorge Azem

“Meu bisavô Jacó era gêmeo e teve filhas gêmeas: Wilma e Vera Lúcia. Wilma, era minha avó materna. Depois deles nasceu o primeiro casal gêmeo da família. Minha mãe (Lygia) teve uma filha, e apesar de ter sido uma gravidez de risco, ela sonhava em ter o segundo filho.

Depois de quatro abortos espontâneos, ela resolveu fazer uma promessa à Santa Bárbara - se ela conseguisse ter uma menina, em uma gravidez saudável, ela se chamaria Bárbara em sua homenagem. E se fosse um menino, se chamaria Jorge, em homenagem ao São Jorge.

Conseguiu, mas foi uma gravidez conturbada, com risco de perder os bebês. No 8º mês de gestação, dia 21 de outubro de 1997, eu nasci às 16h30. Um minuto depois nasceu Jorge.

A nossa relação é muito boa, definitivamente. Somos melhores amigos e confidentes. Muito apegados, não conseguimos ficar muito tempo longe um do outro. Brigamos às vezes, mas em poucos minutos já está tudo bem. Somos muito diferentes também, principalmente na personalidade. Jorge é muito calmo, inteligente e é horrível quando se trata de trabalhos domésticos ou qualquer outra coisa que envolva ''capricho''.

Eu tenho personalidade forte, sou brava, perfeccionista e muito preguiçosa. Não nasci para ser dona de casa, mas sei me virar com as tarefas domésticas. Em relação ao "Um sentir o que o outro sente" sim, isso acontece de vez em quando. Em geral, sentimos muito a falta um do outro quando estamos longe e dores de cabeças ao mesmo tempo, principalmente enjôos.

Uma sintonia que acho ''assustadora'' é que sempre falamos ao mesmo tempo as mesmas coisas! Ou pensamos as mesmas coisas e um acaba ‘roubando as palavras da boca do outro’. É muito engraçado. Inacreditavelmente, nós conseguimos acertar e errar o mesmo número de questões (diferentes) nas provas. As professoras sempre se surpreendem, mas já se acostumaram. Estudamos juntos desde sempre.

Estudei em uma escola que uma professora era contra gêmeos estudarem nas mesmas salas, por nossa sorte, nossa mãe trabalhava na escola também e sempre fez questão de nos colocar juntos em tudo. A hora que nós mais temíamos quando mudávamos de escola era ler a lista de nomes. Graças a Deus sempre caiamos nas mesmas salas com algumas artimanhas de minha mãe, com certeza, mas tudo bem.

Sei que um dia teremos que seguir nossas vidas e tomarmos rumos diferentes, mas, afirmamos com freqüência que um estará na vida do outro sempre, nas lembranças e ou no coração. Todos os dias fazemos os nossos gestos e falamos "You me forever together” (sempre juntos).

Bárbara Cristina Azem, gêmea de Jorge Felipe Azem. Relato autorizado pela mãe, Lygia Cristina Azem.

São Paulo / SP

segunda-feira, julho 23, 2012

Nayara Kênia e Nayama Keila da Silva

(Suely Cristina da Silva e suas filhas bailarinas)

“Olá Jemima!! Achei o máximo seu blog e resolvi escrever!!

Sou Nayara, gêmea univitelina de Nayama. Nascemos em 13 de março de 1989 em Natal, no Rio Grande do Norte. Tenho mais duas irmãs, Naira e Nayanne. Todas são “NA” mesmo! Há três casos gemelares em nossa família. Um dos casos minha mãe (Suely Cristina da Silva) não chegou a conhecer, o segundo caso somos nós, e o último caso que tivemos foram minhas primas (bivitelinas).

O engraçado é que tanto minha mãe quanto minha tia (Cristiane, irmã da minha mãe) engravidou de gêmeos na segunda gestação. Quando crianças nos vestiam iguais, só mudava a cor! Era uma confusão só. Mas nunca nos importamos com isso. Minha mãe quase nos confundiu quando éramos bebê, quase tomei medicamento duas vezes, foi ai que ela percebeu que eu tinha um sinal que nos diferenciava. A partir deste dia passamos a usar aquelas pulseirinhas com nossos nomes!

Tínhamos uns sete anos quando tentamos enganar nossa professora, mas não deu certo porque fomos descobertas. Depois dessa tentativa fracassada, nunca mais tentamos enganar ninguém, rs. Alguns de nossos amigos nos confundem, alguns nos chamam até de Nay, para não ter erro. Somos as “Nays” na maioria dos lugares que vamos.

Fazemos balé clássico desde os 12 anos e nos tornamos professoras em uma escola particular de balé em nossa cidade. Escolhemos fazer o mesmo curso, Licenciatura em Dança na UFRN e sobre isso tenho algo para contar:

O maior medo de nossa mãe era que apenas uma filha entrasse na Universidade. Só soubemos disso quando passamos, claro. Acho que foi por isso que quando tentamos o vestibular pela 1ª vez ficamos na suplência. Uma abaixo da outra!

Minha mãe deve ter pedido muito a Deus que as duas passassem juntas! Engraçado não?! E quando passamos no ano seguinte ficamos bem perto na colocação também! Nós não somos dependentes uma da outra, somos sim, confidentes! E apesar de nossa vida ser muito parecida, pois trabalhamos e estudamos juntas e nossos amigos são praticamente os mesmos, somos completamente diferentes na personalidade!

Acredito que nos completamos. E isso só sabe explicar quem é gêmeo também! É uma relação diferente! Já tivemos vários momentos de separação, chegamos a viajar uma sem a outra, era estranho, mas já nos acostumamos com isso. Pensamos que nossas vidas podem tomar rumos diferentes. Quem sabe? Só Deus! Mas acredito que se isso acontecer, nos aproximaremos ainda mais” Nayara

Na foto acima, as irmãs idênticas visitaram a capital paulista recentemente, mas Nayara Kênia da Silva e Nayama Keila da Silva moram em Natal / RN.

quarta-feira, julho 18, 2012

Antônio e Fernando Aurélio Fagundes da Motta

“Olá Jemima, te vi no programa “Mulheres” da TV Gazeta e decidi participar também!

Eu, Antônio Aurélio Fagundes da Motta, sou gêmeo idêntico de Fernando Aurélio Fagundes da Motta. Nascemos no Rio de Janeiro em 26/07/1961, mas há vinte anos moramos na cidade de São Paulo.

Há vários casos gemelares na família da minha mãe (Etelvina Machado Fagundes da Motta, já falecida) e quando nascemos ela tinha 40 anos. Na ocasião, os exames de ultrassom não eram modernos como os de hoje e pelo tamanho da barriga da minha mãe, ela pensava que eram trigêmeos.

Minha mãe teve que ir de ambulância para a maternidade porque não agüentava mais ficar sentada, muito menos em pé, devido o peso. Após o parto, quando papai (Aurelino Pereira da Motta, hoje com 80 anos), entrou conosco no quarto, minha mãe perguntou pelo Francisco (seria o nome do terceiro filho). Ele explicou que eram somente dois. Nascemos muito grandes!

Sempre usamos roupas iguais, algumas vezes totalmente iguais outras vezes só mudava a cor porque meu irmão sempre gostou de azul e eu de verde. Os presentes também sempre eram iguais.

Nossa infância sempre foi marcada pelos curiosos que nos rodeavam, porque naquela época os nascimentos de gêmeos, eram raros.

Minha mãe era professora e trabalha fora, uma vez ela chegou em casa e nós dois estávamos chorando. Depois de algum tempo ela descobriu que a empregada havia dado duas mamadeiras para o mesmo, assim um chorava de fome e o outro chorava de tanto comer.

Nunca houve troca de namorada, mas já fizemos prova na escola, um no lugar do outro. Aliás, tem um fato muito interessante.

Eu cursava Matemática na faculdade no período da manhã e meu irmão cursava Econômica em outra faculdade no período da noite. Havia um professor de matemática que dava aula nas duas faculdades.

Um dia ele falou para o meu irmão que estudava a noite. “Puxa, você gosta de estudar, esta fazendo duas faculdades ao mesmo tempo!!”. Depois, ele nos viu juntos e ficou impressionado.

(Antonio com a esposa Ivone e as filhas Flávia e Fernanda)

(Fernando com a esposa Milene e os filhos Pedro e Fernando)

Nós escolhemos a mesma carreira profissional. Atuamos há mais de 30 anos em TI, já trabalhamos juntos na mesma empresa (ex: Varig e Banco Nacional) inclusive lado a lado, dividindo a mesma sala.

Nossas personalidades são idênticas, apenas tivemos mudança de comportamento e filosofia de vida depois que casamos porque nossas esposas são muito diferentes. Eu tenho duas filhas e meu irmão tem dois filhos”Antônio.

Antônio Motta é casado com Ivone Luiza Abrão Francis Fagundes da Motta, com quem tem duas filhas: Fernanda Abrão Francis e Flávia Abrão Francis.

Fernando Motta é casado com Milene Ribeiro de Abreu Fagundes da Motta, com quem tem dois filhos:  Fernando e Pedro Henrique Ribeiro.

São Paulo / SP