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segunda-feira, setembro 09, 2013

"Helena, Isabel e Micaela" Por Fran Martins de Souza

"Eu e meu marido somos de Curitiba, capital do Paraná, mas cansamos da cidade grande e resolvemos nos mudar para o interior do Rio Grande do Norte. Assim que chegamos (março de 2012), resolvi parar de tomar o anticoncepcional. Não tinha a mínima esperança, pois aos 16 anos fui diagnosticada com Ovários Policísticos – tive uma disfunção hemorrágica séria e fiz até curetagem. Quatro meses depois que parei com o anticoncepcional, descobri que estava grávida. Foi tudo muito intenso. Enjoei muito no começo, sentia muitas dores e tive um sangramento. Quando fui fazer a ultrassonografia não acharam bebê algum e o médico disse que era uma gestação anembrionária (também conhecida por ovo cego).

O médico disse também que eu sofreria um aborto espontâneo e caso não acontecesse naturalmente, ele me recomendaria um 'medicamento' para forçar o aborto. Fiquei muito mal, muito mesmo. Antes de saber disso, eu já havia conversado com meu marido que esperaria pelo aborto espontâneo. No meu caso, a fecundação foi tardia, por isso não aparecia o embrião no primeiro ultrassom. Infelizmente, isso é mais comum do que imaginamos. Até que tive um segundo sangramento e pensei que estava abortando.

Corri para o hospital e a médica falou que não era aborto – fiz um segundo ultrassom e dessa vez, encontraram um bebê. Foi a maior felicidade escutar aquele coração batendo ela telinha. Mas, depois de duas semanas, novo sangramento. E a constatação de um descolamento de placenta. Desta vez, o médico desconfiou tratar-se de gêmeos e solicitou um novo ultrassom. Daí a surpresa: Eram trigêmeos, concebidos naturalmente!

Meu marido (Michel) chorou, eu surtei, minha mãe (Rosmari) passou mal e meu padrasto quase desmaiou, rs. Tive uma gestação cheia de cuidados - muito repouso e muito sofrimento também – senti dores na costela durante toda a gravidez, descobri um cisto grande que nos acompanhou até o final, além da azia insuportável. Com 26 semanas comecei a sentir contrações, que precisaram ser contidas com medicamentos. Nesta etapa, ninguém acreditava que a gestação iria muito longe. Na 31ª semana fui para uma consulta de rotina e meu médico percebeu que eu já estava com 4 cm de dilatação. Não me internou, mas depois disso, repouso mais que absoluto. Na semana seguinte: 6 cm. Aí não pude fugir mais da internação.

Fran e Michel aguardando as trigêmeas!
Consegui segurar minhas trigêmeas até a 33ª semana e no dia 21 de maio de 2013 elas nasceram. Primeiro veio Helena, com 1.800g e 42 cm, em seguida a Isabel com 1.560g e 38 cm e por último nasceu Micaela com 1770g e 42 cm. Ficaram na UTI Neonatal apenas cinco dias. Micaela pegou uma infecção e voltou pra UTI por mais seis dias. Ganharam peso e tivemos alta 24 dias depois do nascimento.


Hoje, minhas filhas estão com três meses e meio e muito saudáveis. Nenhum médico soube dizer com certeza se elas são plurivitelinas ou não, mas todos os palpites dizem que elas são idênticas.

As dificuldades são muitas, principalmente financeiras. Não temos como pagar alguém pra me ajudar, por isso, cuido das minhas filhas e dos afazeres domésticos – sozinha. O lado bom é que no caso de gêmeos e múltiplos, acho que a criança não cresce mimada, pois aprende a dividir tudo desde cedo: amor, brinquedo, atenção, carinho etc. E os pais também aprendem a fazer essa divisão. Acho isso mágico. Quem quiser conhecer mais sobre nossa história, pode acessar meu blog "Muito Amor Trigêmeos" Fran

Francielle Martins de Souza e seu marido Michel, moram em Assu / RN

sexta-feira, agosto 30, 2013

"Cecília, Heitor e Vitória" Por Iadja Linhares

"No dia que completamos dois anos de casados, começamos um tratamento para engravidar através da fertilização in vitro (ICSI - Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide, caso em que um único espermatozoide é injetado em cada óvulo disponível sob visão de um microscópio especial e através de micro-agulhas). Todo o tratamento foi realizado em Fortaleza, capital do Ceará, que fica a quase 300 quilômetros da cidade onde moro, Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Em um dos ultrassons, o médico disse que eu teria pelo menos três filhos. Na hora eu ri e pensei que ele estivesse louco. No dia da transferência dos embriões, eu estava sozinha na sala para realizar o procedimento (ICSI) e fui consultada sobre quantos embriões queria transferir, porque eu tinha quatro. O médico sugeriu três e eu concordei, achei mais sensato. Depois, quando contei ao meu marido (Bruno) ele surtou. Ele disse teríamos trigêmeos, e que isso não era certo, que nós não tínhamos como cuidar de três bebês etc.

Onze dias depois da transferência fiz um teste de farmácia que deu positivo. Ficamos nas nuvens, porém, tive um sangramento que nos desesperou numa amplitude que nunca imaginei. Sentíamos-nos fracassados, frustrados e sem força -era último dia de carnaval, não conseguia falar com meu médico - então no dia seguinte bem cedo fui correndo para o hospital fazer o Beta HCG – cujo resultado foi positivo. Duas semanas depois, fiz o primeiro ultrassom que mostrou três sacos gestacionais com três coraçõezinhos tocando a mais linda sinfonia que nos fez chorar muito. Aí começaram as emoções dos pais de primeira viagem.

Tive uma gravidez muito tranquila, nunca senti os incômodos que todas as mulheres reclamam, foi tudo muito calmo. Na 30ª semana de gestação, dia 07 de setembro de 2011, meus filhos nasceram: Primeiro veio a Cecília com 1310 Kg e 37 cm, depois veio Heitor com 1380 kg e 38 cm, e por último nasceu a Vitória com 930 gramas e 35 cm. Eu já esperava a internação, mas ninguém se prepara para ver os filhos numa UTI, entubados, de olhos vendados - são cenas que sou incapaz de esquecer. Cecília ficou 28 dias internada, Heitor 38 e Vitória 52 longos dias. Foi uma fase muito difícil, mas de grande aprendizado, amadureci demais e me sensibilizei mais ainda.

Meus filhos estão com quase dois anos e sinto algumas dificuldades na criação de múltiplos, às vezes me sinto culpada por não conseguir dar a atenção suficiente aos três. Para amenizar um pouco tudo isso, fazemos tudo junto. Obedecemos rigorosamente uma rotina disciplinada que seguimos desde o nascimento deles, pois não temos a liberdade de pais que tem um só bebê em casa - estamos sempre em déficit de número de adultos por bebês, mas eles são tão felizes e tão unidos, que enchem nossa vida de amor, alegria e esperança.

Os três tem personalidade forte - são muito diferentes e ao mesmo tempo tão iguais que se completam. É simplesmente apaixonante acompanhar o desenvolvimento deles. É tanto amor que eu senti necessidade de expressar escrevendo, por isso, criei o blog Trigêmeos Guerreiros – para compartilhar minha experiência com a maternidade triplamente abençoada". Iadja Linhares

"Meus filhos causaram uma reviravolta em minha vida, relativizaram conceitos que eu tinha como absolutos e vice-versa. Depois do nascimento deles, tudo mudou positivamente na minha vida. Hoje, posso afirmar que sou um ser humano infinitamente melhor. Eles são as três bênçãos que iluminam a minha vida".
Bruno Souza, pai dos trigêmeos.

Iadja, Bruno e o trio fofo moram em Mossoró / RN

segunda-feira, julho 08, 2013

"Beatriz e Eduardo" Por Carina Rodrigues

Carina e o marido Marcelo
"Sou mãe dos gêmeos Beatriz e Eduardo, e como se percebe, eles têm cores de pele diferentes. Quando soube que espera dois bebês, foi uma surpresa e tanto. Não foi fácil, mas Deus esteve sempre ao nosso lado. Um dos momentos mais difíceis foi quando eu estava no 5º mês de gestação e meu esposo (Marcelo) comentou que não tínhamos enxoval para os bebês e eu disse: 'Fique tranquilo, Deus proverá'.

Minha vizinha nos deu todo enxoval do filho dela e depois fizemos um chá de bebê e ganhamos muita coisa também. No 6º mês descobrimos que era um casal. Quando nasceram, fiquei assustada porque vi que Beatriz era branca e Eduardo negro – mas meu marido (Marcelo) é branco. Além disso, foi uma benção, porque eles nasceram na 36ª semana, dia 27 de abril de 2002, com pesos excelentes – não precisaram ficar na UTI Neonatal.

Quando eles completaram 5 meses de vida, o Eduardo teve derrame no pulmão. Eu morava sozinha em São Paulo, sem família. Quem cuidaria da Beatriz enquanto eu ficava no hospital com o Edu? Então, sofri muito, pois tive que me separar da minha filha por um mês. Deixei-a com uma tia que se prontificou em ajudar e fiquei internada com o Eduardo.

Depois dessa fase, tudo melhorou. A base da educação que damos a eles é que eu e meu marido concordamos em tudo – para que um não tire a autoridade do outro. Além disso, tememos ao Senhor que nos ajuda muito. A alegria da maternidade dupla é inexplicável. Ter essas bênçãos na nossa vida é indescritível. Sou muito grata pela oportunidade de ser mãe dessas duas crianças tão lindas" Carina e Marcelo da Silva Rodrigues de São Paulo

Gêmeos com cores de pele diferentes surpreendem pais, mas não os cientistas. Conheça outros casos aqui.

quarta-feira, junho 12, 2013

"Arthur e Gael" Por Débora Caram

Débora e Gustavo com os filhos gêmeos
"Eu e Gustavo nos casamos em 2006, mas não planejamos ter filhos logo. Eu queria ter filhos, mas, não queria ser mãe, sabe? Isso mesmo, ser mãe, que coisa estranha....afinal, ainda sou só uma adolescente de 32 anos. Em agosto de 2009 descobri que estava grávida - chorei compulsivamente, meu coração parou de bater. Nem lembro como dei a notícia ao Gustavo. Tremia igual vara verde.

No primeiro ultrassom fui sozinha depois do trabalho. Na época eu era repórter e a minha primeira cobertura grávida foi o desfile de Sete de Setembro. Na clínica, eu vi aquelas gestantes e pensei 'ô coitadas, que barrigão, que sofrimento, ai meu Deus eu também estou grávida e a ficha não cai'.

Fazendo o exame, o médico disse: 'Parabéns duas vezes! Você terá dois bebês' e eu: 'O senhor não está enganado?!' Chorei de desespero e felicidade. Liguei para o meu marido e disse 'Sem brigas baby, será um atleticano e um cruzeirense'. Mais ou menos na 38ª semana, em 12 de abril de 2010, Gael e Arthur nasceram – eles são bivitelinos.

Educar dois filhos ao mesmo tempo é uma tarefa árdua e diária, porque eles têm personalidades bem diferentes. Quando se têm gêmeos, a gente aprende a fazer tudo rápido, parece que temos várias mãos. Conseguimos carregar o bebê, bolsa, carrinho, outro bebê etc. Por isso tenho uma rotina disciplinada, senão me perco.

É muito interessante ver a cumplicidade dos dois desde bebês, a amizade deles se intensifica a cada dia. É lindo ver os dois se desenvolvendo, compartilhando tudo e conversando. Mas como é sofrido ver os dois brigando, batendo, apanhando. Tudo é um desafio, mas as coisas se ajeitam naturalmente.

Meu marido é uma mãe. Ele dizia que não trocaria uma fralda, mas depois do nascimento, está presente em tudo: dá banho, coloca pra dormir, acorda cedo aos finais de semana pra me deixar dormir mais - uma graça. A vida de pais de gêmeos não é fácil mesmo, muita grana que se gasta, muitas festas que se perdem, muitas brigas que aparecem, mas o amor que nasce é tão maior que tudo, que aquela frase 'alegria em dobro' passa a fazer mais sentido a cada dia!"

Débora Caram e Gustavo Yamagata moram em Belo Horizonte / MG.

*Uma mãe indicada pelo projeto 'Padecendo no Paraíso'.

sexta-feira, junho 07, 2013

"Lauren e Lorena" Por Cinthia e Fábio Rodrigues

"Em dezembro de 2010, depois de uma consulta médica de rotina, fui diagnosticada com carcinoma no colo do útero. Foi um susto, demorei um tempo para digerir aquela notícia e entender o que estava acontecendo comigo. Em fevereiro de 2011, após uma biopsia, o médico recomendou que eu fizesse uma histerectomia* - o que me impossibilitaria definitivamente de gerar. Em seguida, sendo muito pragmático, o médico nos sugeriu também a adoção - como alternativa para realizarmos o desejo de ter filhos.

Mas, dentro de mim, existia uma resposta totalmente diferente. Eu sabia que Deus intercederia por mim e assim, decidi não fazer a cirurgia. No dia que fui à consulta para marcar a operação, contei ao médico minha decisão de maneira incisiva e clara. Ele comentou que eu precisaria de muita fé e convicção para sustentar minha escolha. E foi essa convicção divina que me deu força para seguir adiante. No mesmo mês deixei de tomar contraceptivo. Dezoito meses depois, exatamente no período que eu estava fazendo o trabalho
de encadernação do livro 'Vizinhos de Útero', recebi outro diagnóstico médico – eu estava grávida de gêmeos. Isso mesmo, um milagre de Deus.

Cinthia gravidíssima!
No dia 14 de fevereiro de 2013, na 33ª semana, concebi naturalmente as gêmeas univitelinas Lauren e Lorena. Deus recompensou todo sofrimento que passei por conta do carcinoma e também pelo fato de decidir (pela fé) de não fazer a histerectomia – contrariando assim, uma recomendação médica.

Minhas filhas estão com 4 meses, lindas, saudáveis e são um presente de Deus na nossa vida. Nunca desejei ardentemente ser mãe, mas sempre sonhei em ter gêmeos – preferencialmente gêmeas. Quando olho para as minhas filhas, sou grata a Deus pela perfeição dos Seus planos. É com muito carinho e orgulho que deixo meu depoimento no site da minha amiga Jemima, que foi testemunha de tudo que relatei aqui. Com a Lauren no colo e digitando com apenas uma mão, termino meu breve texto, feliz com a dupla maternidade" Cinthia

"Quando casamos há sete anos, não imaginávamos que passaríamos por tantas adversidades. Contudo, a cada momento de dificuldade encontramos o amor e a presença de Deus em nossos corações e em nosso lar. Nossa maior preocupação era descobrir a patologia da Cinthia: foram vários dias de tristeza e desespero. Mas, depois daquele lamentável diagnóstico, Deus nos surpreendeu com duas meninas lindas e saudáveis – que são a nossa maior felicidade. Quero deixar registrada aqui minha gratidão a Ele, por estes dois presentes recebidos com muita alegria" Fábio.

Cinthia e Fabio Henrique Rodrigues moram em Araçoiaba da Serra (SP).

*A histerectomia é uma operação cirúrgica da área ginecológica que consiste na retirada do útero. A histerectomia pode ser total, quando se retira o corpo e o colo do útero, ou subtotal, quando só o corpo é retirado. Às vezes esta cirurgia é acompanhada da retirada dos ovários e trompas (histerectomia total com anexectomia bilateral ou histerectomia radical).

segunda-feira, junho 03, 2013

"Mateus e Rafael Vilar Dias" Por Melissa Dias

"Sempre sonhei em ser mãe. Aos 25 anos, descobri que tinha um nódulo na tireoide e sofri muito. Depois de um ano fazendo tratamento, retirei o nódulo e com ele foi embora tudo que estava negativo na minha vida. Eu não imaginava o que Deus me reservava... Aos 28 anos, casei e fiquei dois anos me preparando para a maternidade. Eu não sabia que teria dificuldade para engravidar. Mas, Deus estava ao meu lado - Ele sempre foi meu apoio, meu TUDO, me ajudou a superar os medos e me deu forças para continuar tentando...

Depois de oito meses tentando, tive uma semana de TPM, cólica forte e decidi fazer um teste de farmácia, mas deu negativo. Fiquei arrasada. Porém, meu ciclo não vinha, o que me deixava mais ansiosa ainda. Então, minha irmã sugeriu que eu fizesse um exame de sangue. Resultado: POSITIVO. Eu não sabia o que fazer, não entendia aqueles números. Pedi ajuda à enfermeira e ela me acalmou dizendo 'Você está muito grávida'. Saí de lá sem saber explicar a alegria de ter uma vida dentro de mim.

Fui pra casa da minha mãe (Iara de Lourdes Silveira) e no caminho comprei uma caneca com a frase 'amo você vovó'. Chegando lá, eu não conseguia nem falar, ela viu a caneca e foi aquela festa. Meu marido (Guilherme) ficou eufórico. Na semana seguinte fizemos o primeiro ultrassom. Enquanto estávamos na sala de espera, saiu um casal chorando de emoção, pois descobriram que teriam gêmeas. Eu olhei assustada e comentei: ‘Nossa! Imagina?’ Meu marido riu e falou: “Que legal! A gente podia ter gêmeos né?!” Eu nem dei bola porque nem temos casos na família.

Fazendo o exame, a Dra Mariane disse: 'Você viu o casal que saiu daqui? Eles vão ter gêmeos....e vocês também! São dois bebês!'. Eu trêmula e pálida. Meu marido quase desmaiou. Ficamos sem palavras. A médica explicou tudo e disse que um bebê estava bem maior, e o outro talvez não vingasse... São univitelinos (idênticos). Fiquei muito feliz e preocupada ao mesmo tempo, mas tive uma gravidez tranquila. No segundo ultrassom os dois bebês já estavam do mesmo tamanho. Trabalhei até quatro dias antes do parto.

Mateus e Rafael nasceram dia 12 de fevereiro de 2011, um sábado lindo, as 07h00, com 36 semanas completas, pesando 2,6 kg cada um. Foi o momento mais maravilhoso e inexplicável da minha vida. Em dois dias estávamos todos em casa. Confesso que senti medo, fiquei insegura. Será que conseguiria cuidar de dois bebês ao mesmo tempo? Eu chorava dia e noite, cansada, sem dormir, (apesar da ajuda da minha mãe e de uma enfermeira), não conseguia parar de chorar, não me alimentava direito...enfim.

Perguntei pra minha mãe se aquilo era ser mãe e ela só me respondeu com um abraço. Acho que depois daquele abraço, levantei a cabeça e disse pra mim mesma, eu vou conseguir. Foi difícil, mas hoje, meus filhos estão lindos, saudáveis e já vão para a escolinha. Ser mãe é isso! É ter esperança sempre, é ser forte, é amar incondicionalmente, é ter coragem para enfrentar o mundo em defesa dos filhos. Ser mãe é aceitar a vontade de Deus. Sou uma mulher feliz e realizada. Nem sempre acerto, mas aprendo a cada dia.

Deus não coloca nada por acaso em nossas vidas! Acredito que Ele me deu esta missão e vou cumprir com fé, coragem, amor e dedicação. Sou muito grata à minha mãe – que é meu grande exemplo – e ao meu grande amor (meu marido) pelo apoio incansável de todos os dias.

Melissa Dias e Guilherme Vilar Dias moram em Belo Horizonte / MG.

*Uma mãe indicada pelo projeto
Padecendo no Paraíso

sexta-feira, abril 26, 2013

"Sophia e Yuri" Por Alexandra da Guarda

(Alexandra com o marido e os filhos gêmeos)

"No ano passado, eu estava estudando para a segunda fase da OAB, mas duas semanas antes da prova, comecei a passar mal. Senti uma forte dor de cabeça, fui até o pronto socorro e disseram que era uma virose. Estava fazendo muito xixi e sentia muito sono. Infelizmente, perdi a prova, mas Deus sabe o que faz.

Decidi então, fazer um exame de sangue - que deu positivo. Na primeira consulta comentei que havia sangrado um pouco e aí recomendaram fazer um ultrassom. Na hora do exame, o médico perguntou se eu tinha gêmeos na família, e eu respondi que sim. Foi assim que eu soube que esperava dois bebês – já na 7ª semana de gestação. Telefonei para o meu marido (Alex Sandro) pra contar a novidade, e ele ficou feliz. Mas, na verdade, a ficha demorou cair.

Aos 36 anos, concebi gêmeos naturalmente. Meus filhos nasceram dia 17 de outubro de 2012 e não precisaram ficar na UTI Neonatal. Sophia nasceu primeiro com 2.425g, logo depois veio Yuri pesando 2.350g.

Não sou uma mãe perfeita. Sempre acho que poderia fazer melhor, parece que estou em falta com um deles. Gostaria de carregar os dois no colo juntos, mas não é possível. Se pego um, olho para o outro e percebo que sentem ciúme. Fico um pouco triste por não conseguir dar atenção 100% aos dois ao mesmo tempo.

O lado bom de criar dois filhos de uma vez só é que meu trabalho é único. Quando danço, falo ou ensino algo – é para os dois juntos – o que me deixa muito emocionada, porque eles ficam atentos, olhando, observando".

Alexandra e Alex Sandro moram em Salvador / BA

quinta-feira, abril 25, 2013

Francisca Lopes Teixeira teve TRÊS pares de gêmeos!

Gerson Teixeira
"A história da minha família é diferente e engraçada ao mesmo tempo. Tenho catorze irmãos, sendo sete homens e sete mulheres, vivos. Mamãe, Dona Francisca, TRÊS pares de gêmeos – dois pares são gêmeos sobreviventes.

No primeiro caso, um dos bebês faleceu logo após o nascimento. No segundo caso, um dos bebês faleceu dois meses após o nascimento. No terceiro caso, minha mãe concebeu duas meninas bivitelinas, ambas vivas, Graças a Deus. Elas são muito diferentes, uma é morena de cabelo liso e a outra é branca com cabelos cacheados.

Minha mãe, Francisca Lopes Teixeira e meu pai Antonio Alves Teixeira moram com parte dos filhos em uma fazenda na zona rural de Araguanã, no Maranhão, lugar onde todos os filhos nasceram, foram criados e ficaram até casa um seguir seu próprio caminho.

Gerson com os pais, Francisca e Antonio
Tenho 23 anos, sou o filho caçula, o único que nasceu no hospital. Os demais irmãos nasceram em casa mesmo, de parto normal. A gêmea Karla mora com meus pais no Maranhão e sua irmã Kátia, vive hoje em Niterói (RJ). Eu não tenho fotos da família inteira, pois é raro quando todos os filhos podem estar juntos. Quando vamos visitar nossos pais, as datas nunca coincidem. Não lembro a data de nascimento de todos, pois a família é grande...(rs).

Gildon, um dos gêmeos sobreviventes mora em Itumbiara, Goiânia. O irmão dele nem chegou a ser registrado, mas minha mãe disse que ele se chamaria Emanoel. Gilson, outro gêmeo sobrevivente vive com a família em Araguanã também. Por ordem de nascimento, os quinze filhos vivos de minha mãe, Dona Francisca Lopes Teixeira são: Maria, Ilson, Gilson, Alcione, Clarice, Gildon, Gilbson, Kátia, Karla, Antonio, Edson, Edna, Jean, Mayana e eu, Gerson"

Gerson Teixeira mora em São José dos Pinhais / PR

quinta-feira, abril 18, 2013

Lara e Laís Lima Verzignassi

(Fabiany com as filhas gêmeas Lara e Laís)

(Fabiany com o marido Rodrigo e a sogra Marcia)

"Sempre sonhei em ser mãe! Então, alguns meses antes de fazer 30 anos começaram os preparativos, fui à ginecologista/obstetra, fiz todos os exames para ver se a saúde estava em dia e dez dias depois do meu aniversário eu estava grávida! Na 8ª semana fiz o primeiro ultrassom, a pergunta do médico foi estranha: 'Você tem caso de gêmeos na família?', eu respondi que não, e ele disse: 'Então você vai ser o primeiro, tem dois coraçõezinhos aqui.' Primeiro veio o choque e depois um estado de euforia.

Tudo ia caminhando bem, até que no terceiro mês eu acordei no meio da noite com um forte sangramento, corremos para o hospital, e depois de horas de espera (mesmo tendo plano de saúde), um médico entrou no quarto e perguntou para enfermeira se eu era a paciente para curetagem, até aquele momento não havia sido feito nenhum ultrassom (!), então eu comecei a gritar dizendo que não, e que eu queria a minha médica, que meus bebês estavam vivos, não sei se foi instinto materno, mas eu estava certa, apesar do descolamento de placenta os dois bebês estavam ótimos.

Depois desse episódio, tudo mudou. A gravidez passou a ser considerada de risco e eu tinha de fazer repouso absoluto ou perderia os bebês. Três pessoas foram fundamentais nesse processo: minha médica Dra. Sandra Matos, minha sogra (Marcia Verzignassi) e meu marido (Rodrigo Verzignassi ). A restrição médica foi severa, eu precisava de ajuda para tudo!

Apesar da preocupação, não podíamos fazer ultrassons com frequência, pois a ida ao médico era muito arriscado. Foram dias e noites de muito medo, quanto maior a barriga, maior o receio de que o peso dos bebês descolasse mais a placenta e eles morressem. Descobrimos que eram duas meninas, mas nenhum exame conseguiu dizer com certeza, se são uni ou bivitelinas.

A partir do sexto mês, a posição dos bebês me impedia de ficar ou dormir de lado, então eu passava 24 horas sentada, cercada de almofadas. Na 27ª semana de gestação, a médica optou por aplicar as injeções de corticoide e me preparar para fazer o parto a qualquer momento. Na 30ª semana minha pressão começou a subir. Em seguida, descobrimos que um dos bebês parou de crescer: a chamada Síndrome de Transfusão Feto-Fetal.

Lara
Na 32ª semana, a médica decidiu me internar por segurança. Foi verificado, através de uma cardiotocografia, que o batimento cardíaco do bebê menor, havia aumentado. Então, a médica decidiu pela cesárea imediatamente.

Laís

No dia 11 de dezembro de 2009, Lara nasceu pesando 1.690 kg e um minuto depois, veio a Lais com 2.015 kg, ambas foram para a UTI. Lara teve alta dia 25/12, Laís teve apneia e saiu do hospital três dias depois.

Minhas filhas mudaram muito a minha vida. Sentindo cada vez mais vontade de ter flexibilidade nos horários de trabalho para curti-las, e tendo elas mesmas como inspiração, eu criei uma forma diferente de comprar online, trazendo um toque pessoal e permitindo a outras mães fazerem produtos personalizados.


Assim nasceu a Timolico, uma empresa de produtos customizados para família, com foco no público feminino e infantil. Acabei juntando minha experiência profissional com o duplicado amor de mãe.

Lara e Laís são as principais modelos do site e continuam crescendo, cada vez mais lindas. E apesar de terem personalidades completamente diferentes, são inseparáveis!" Fabiany Lima – contato: fabiany@timolico.com.br

São Bernardo do Campo / SP

sexta-feira, março 29, 2013

"Penelope e Sophia" Por Adriana Alexandrina de Sousa

"Descobri que esperava gêmeos no segundo mês de gestação, quando fui fazer o primeiro ultrassom. Assim que começou o exame, o médico perguntou se eu já sabia. Na hora, eu pensei que ele falava sobre o sexo do bebê – mas ele disse que eram duas placentas, ou seja, eram dois bebês.

Eu só sabia rir de tanta felicidade! Nunca passou pela minha cabeça que um dia teria gêmeos, mas foi a melhor noticia da minha vida. Na 35ª semana de gestação minha bolsa estourou e minhas filhas bivitelinas vieram ao mundo dia 27 de setembro de 2011.

Penelope nasceu primeiro com 1,852 kg e depois veio a Sophia com 1,834 kg. Graças a Deus, tudo ocorreu bem, elas não precisaram ficar na UTI Neonatal e foram direto para o quarto comigo. Com quatro dias fomos para casa.

Minhas pequenas estão com 1 ano e 6 meses e já percebi que elas tem personalidades bem diferentes. Penelope (mais levada) é branquinha como o pai e Sophia (mais dengosa) é morena como eu. Amor duplicado. A cada dia, as amo mais e mais. Elas são minhas vidas, sapecas e carinhosas" Adriana.

(Adriana e Paulo com as filhas Penelope e Sophia)

"Sinto muito orgulho das minhas filhas, elas são meu maior tesouro. Ser pai de gêmeas é algo surpreendente, porque recebemos amor e alegria em dobro" Paulo

Adriana Alexandrina de Sousa e Paulo Renato Cruz Silva moram em Teresina PI

terça-feira, março 12, 2013

"Lucas e Mateus" Por Gisleine Santos Hangai

(Marcelo e Gisa com os filhos gêmeos)

“Conheci o blog Vizinhos de Útero através do "Minha Mãe Que Disse", do qual participo. Achei a ideia muito boa e decidi enviar a minha história.

Depois de oito anos de casada e há 3 anos tentando engravidar, resolvemos procurar ajuda da medicina. Bastou iniciar o tratamento e logo recebemos a grande notícia da gravidez. Uma semana após a comemoração ficamos sabendo que eram dois bebês - gêmeos bivitelinos. Uma grande surpresa para quem chegou a pensar que não engravidaria. Meus filhos nasceram em 15 de março de 2006. Neste mês, Lucas e Mateus completam 7 anos.

Não vejo dificuldades em criar filhos gêmeos. Às vezes você precisa dar mais atenção a um do que ao outro e não consegue, mas nada que você não dê um jeitinho. As longas horas dedicadas à amamentação são mesmo muito cansativas, mas curti muito essa fase.

O melhor de ter gêmeos é perceber o quanto são diferentes e como é forte o amor que há entre eles. As particularidades de cada um são o grande barato da vida com gêmeos. Enquanto pequenos querem tudo igual, mas a medida que vão crescendo vão fazendo suas escolhas na alimentação, no estilo de vestir, na leitura, nos esportes e até na preferência musical.

Somos de Florianópolis e moramos há 10 anos na capital do Paraná, em Curitiba, onde eles nasceram. No meu blog “Mãe Bacana” eu compartilho as ‘bacanices’ da vida com filhos. É uma forma de encarar a maternidade de um jeito divertido" Abraços, Gisleine Santos Hangai

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

"Aylah Eduarda, Aldrin Benjamin e Sarah Beatriz" Por Ihara

“Depois de oito anos esperando engravidar naturalmente, eu o meu marido decidimos fazer fertilização in vitro. E quando soube que esperava três bebês, não acreditei.

Com a confirmação, comecei a pensar em muita coisa...foi uma mistura de sentimentos. Chorei, ri e me perguntei se daria conta de tudo. A família fez festa e aí tudo é felicidade. Meus trigêmeos nasceram dia 14 de agosto de 2010 com um minuto de intervalo e ficaram 15 dias na UTI Neonatal.

Cuidar de três bebês ao mesmo tempo não é fácil. Passo o dia trocando fraudas, alimentando e alerta 24 horas. São três crianças com personalidades diferentes e quando eles se desentendem, temos que saber lidar com muita paciência.

Amo educar meus filhos, amo cuidar deles, amo passar cada segundo ao lado dos meus bebês. É trabalhoso, mas é gostoso, me sinto preparada. Além disso, meu marido (Aldrin) é muito companheiro, é super paizão. Quando saímos ou viajamos, precisamos de apoio. Não posso ir ao pediatra sozinha, por exemplo. Este é o lado mais difícil de cuidar de três filhos ao mesmo tempo” Ihara

“Os meus filhos são minha alegria. Espero que eles reconheçam no futuro tudo que estamos fazendo para eles agora...” Aldrin, o pai.

Ihara e Aldrin Benlolo são pais dos trigêmeos Aylah Eduarda, Aldrin Benjamin e Sarah Beatriz que estão com 2 anos.

Manaus / AM

terça-feira, janeiro 08, 2013

"João e Miguel" Por Maria Souza

“Tenho três filhos: Pedro de 4 anos e os gêmeos bivitelinos, concebidos naturalmente: Miguel e João completarão 2 anos no próximo dia 25/01.

Quando estava perto do meu filho mais velho completar 2 anos, eu e meu marido (Eduardo) decidimos que estava na hora do segundo filho. Como na 1ª gestação tive uma suspeita de embolia pulmonar, tomamos os cuidados de fazer um check-up antes de engravidar novamente. Depois dos exames realizados, tiramos o DIU e começamos com o ácido fólico.

Depois de 3 meses de ansiedade e um teste de farmácia positivo, fui fazer um exame de sangue para confirmar a gravidez. Enquanto eu aguardava tranquilamente o resultado desse exame, fiz um ultrassom recomendado pelo médico. E para minha surpresa ele disse: “Mamãe, tem dois corações batendo aqui”

Eu não sabia se ria ou se chorava. Tremendo de felicidade, liguei correndo para o Eduardo e pedi para ele me buscar. Apesar dos cuidados preventivos para evitar uma trombose (eram duas injeções diárias de clexane), a gestação correu bem até o sétimo mês, quando os gêmeos começaram a ficar com diferença de peso.

Na 35ª semana, dia 25 de janeiro de 2011 (aniversário da cidade de São Paulo), às 05h00 da manhã, eu percebi um vazamento de liquido anormal. Fui para o hospital com a esperança de que se ficasse de repouso poderia aguentar mais uma semana, mas enquanto dávamos entrada no hospital, a bolsa rompeu de vez. Devido as injeções de clexane, deveríamos esperar até as 22h00 para o parto, pois só poderia tomar anestesia quando o anticoagulante perdesse o efeito. As 18h00 começaram as contrações que foram controladas. As 21h45 eu já não aguentava mais, e com dilatação total fui levada rapidamente para a sala de cirurgia.

A minha médica me abraçou e perguntou se eu queria parto normal, não consegui pensar direito, mas disse que não .... Ainda bem, pois havia um nó verdadeiro no cordão umbilical do Miguel, o que justificava a diferença de peso do irmão. Já sabíamos que o Miguel iria para a UTI Neonatal para ganhar peso, pois nasceu pesando 1.940. Ele ficou lá por 15 dias. O João ficou 20 dias na UTI devido a dificuldade respiratória.

Aos 4 meses descobrimos que o Miguel tem microcefalia* e apesar de vários exames, com diversos especialistas, ainda não sabemos a causa. O que ele apresenta até o momento é um leve atraso no desenvolvimento motor. E para o futuro, bem....ninguém sabe o que nos reserva, não é?!

O que o presente vem nos mostrando é que existe uma ligação muito forte, não só dos gêmeos, mas entre meus três filhos. Sinto-me muito abençoada pela oportunidade de viver a experiência da maternidade, com seus encantos e desencantos. Sou grata por viver para sempre ‘prendida na maternidade’, nome do meu blog” Maria Souza / Contato: mazexsouza@gmail.com

São Paulo / SP

*Microcefalia é uma condição neurológica em que o tamanho da cabeça é menor do que o tamanho típico para a idade do feto ou bebê. Também chamada de Nanocefalia, constitui-se no déficit do crescimento cerebral, quer pelo pequeno tamanho da caixa craniana, quer pelo diminuto desenvolvimento do cérebro. A microcefalia pode ser congênita, adquirida ou desenvolver-se nos primeiros anos de vida. Ela pode ser provocada pela exposição a substâncias nocivas durante o desenvolvimento fetal ou estar associada com problemas ou síndromes genéticos hereditários.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

"Paula e Tatiana de Castro" Por Andreia de Castro

(Andreia, Vanderlei, Gabriela, Alicia e Paula)

“Sou mãe de Gabriela (14 anos) e Alicia (6 anos). Aos 37 anos programei minha terceira gravidez e na oitava semana descobri que esperava dois bebês. Senti uma grande alegria e um enorme susto ao mesmo tempo! Na 19ª semana descobri que eram duas meninas idênticas (univitelinas), que se chamariam Rafaela e Fernanda.

Na 26ª semana foi diagnosticado a Síndrome de Transfusão Feto Fetal. Fui internada no dia 23 de março de 2011, e no dia 14 do mês seguinte, minhas filhas nasceram precocemente, porque a bebê menor estava com hidropsia*

Do momento do nascimento, eu mudei de ideia em relação aos nomes e escolhi o nome dos médicos que cuidaram de mim no Hospital São Paulo, homenageando o Dr Paulo e a Dra Tatiana.

Tatiana ficou internada 15 dias e devido aos rins não funcionarem, e diversas outras complicações, ela faleceu no dia 29 de abril de 2011. Paula ficou 79 dias internada, passou por duas cirurgias (intestino e olhos), chegou a pesar 930 gramas, mas graças a Deus, se recuperou e recebeu alta.

Aproveito para deixar registrado o nosso profundo agradecimento à equipe do Hospital São Paulo, bem como à UTI Neonatal do Hospital Estadual de Diadema. Nossa alegria não foi completa, mas Deus permitiu que nossa dor também não fosse. Somos gratos por Ele ter-nos permitido trazer um dos nossos tesouros para casa. Sempre dizemos que temos um milagre e um anjo”

Um grande abraço de Andreia Temistocles de Castro e família!

São Paulo / SP

*Hidropsia é o acumulo de edema fluído no feto durante o crescimento intra-uterino. As causas da hidropsia fetal são diversas. Até recentemente a causa mais comum era a anemia hemolítica causada por incompatibilidade do grupo sanguíneo RH entre a mãe e o feto (Hidropsia Imune). Quando o feto herda eritrócitos antigênicos determinantes do pai e que são estranhos para a mãe, poderá ocorrer uma reação imune materna, induzindo doença hemolítica no neonato. Por Maria de Souza / Blog Biopatologia

segunda-feira, outubro 29, 2012

"Vitória, João Vitor e Pedro" Por Jô Francetto

(João Vitor e Vitória)

"Prosa & Sexo" Por Jô Francetto

Gerei três vidas, meus grandes amores...

Casei sabendo que teria dificuldades para engravidar. Recorremos ao tratamento FIV (fertilização in vitro) e na terceira tentativa fiquei grávida de trigêmeos. Foram implantados três embriões e todos se fixaram. No início foi um susto muito grande. Apesar de querer muito ser mãe, fiquei desesperada, porque pensava: ‘estou esperando trigêmeos e agora??’

Quando digo susto é susto mesmo, já no ultrassom ouvimos o coraçãozinhos dos três. Eram um tum-tum-tum que não acabava mais. E a partir daí não paramos mais de levar sustos (até hoje...). No 5º mês de gestação parecia tudo tão bem e mais um imenso susto, foi diagnosticado mielomeningocele* em uma das crianças, no caso, o Pedro.

Chegou o dia do nascimento, 22 de outubro de 1998. Minha bolsa rompeu na 32ª semana. João Vitor foi o primeiro, Pedro o segundo e depois a Vitória. Eu estava desesperada apesar de estar muito bem atendida por todos. O médico veio mostra-los para mim. Como mãe, ver os meus três bebês com os olhos do coração – eles eram lindos e perfeitos!

Os três ficaram na UTI neonatal. Pensei: ‘Meu Deus, eu não vou dar conta de tudo isso!’ Ver aquelas crianças na incubadora, me assustou novamente. Foram dias horríveis, porque no mesmo momento em que eu vibrava com os resultados bons com o João Vitor e Vitória, o Pedro passava por uma cirurgia.

Um dos maiores prazeres era extrair (no máximo) meu leite manualmente para alimentar meus pequenos e ainda levar todo santo dia um ou dois frascos para o lactário, para alimentar outras crianças. Isso não é um milagre??

Quando o João Vitor foi para o quarto, a Vitória e o Pedro continuaram na UTI neonatal. Daí o João Vitor foi para minha casa, a Vitória para o quarto e o Pedro continuou na UTI. Eram três situações distintas: a alegria de um bebê estar em casa, o alívio de o outro bebê estar no quarto e a preocupação do Pedro ainda na UTI Neonatal.

Depois de 28 dias, recebemos um telefonema do hospital informando que a Vitória havia recebido alta, então fomos busca-la. Quase duas horas depois, recebemos outra ligação do hospital. O Dr. Ananias nos informou que o Pedro havia falecido. Os rins paralisaram. Eram tantas coisinhas, ele tão frágil e já havia sido submetido à cirurgia, que acabou complicando e então ele se foi.

Não devemos desistir dos nossos sonhos. Eu faria tudo de novo, mesmo tendo passado pela dor e alegria de comemorar o aniversário de um ano dos meus filhos, João Vitor e Vitória, junto com a data de morte do Pedro. Tive que aprender a lidar com a alegria de celebrar a vida de dois filhos e a dor da ausência de um - nosso anjinho Pedro, que sempre faz falta.

Ser mãe do João Vitor e Vitória Francetto Paes de Almeida é a maior alegria que se pode ter. Tudo aqui em casa é multiplicado: os beijos, as massagens a quatro mãos, os abraços, os desenhos quando pequenos, as broncas, a delícia de poder acompanhar a puberdade masculina e feminina ao mesmo tempo, as risadas fora de hora, as brigas, os ciúmes de que eu gosto mais dela ou protejo mais ele. As loucuras na hora das tarefas, na individualidade e diferenças de cada um.

Ufa!!! Quanto amor.. ..quanta vida....quanta alegria ser mãe em dose dupla! Agradeço a Deus pela dádiva de ter gerado três vidas ao mesmo tempo!”

Jô Francetto - Pedagoga e Educadora Sexual
Contato: jocimara.francetto@gmail.com

Piracicaba / SP

*A Mielomeningocele, mais conhecida como Espinha Bífida, é uma má formação congênita da coluna vertebral da criança, dificultando a função primordial de proteção da medula espinhal, que é o "tronco" de ligação entre o cérebro e os nervos periféricos do corpo humano.