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sexta-feira, outubro 11, 2013

Família faz apelo no Facebook à procura do filho desaparecido

João Rafael
João Rafael, de dois anos, está desaparecido desde o dia 24 de agosto no interior do Paraná. Ele é gêmeo!

Foram apenas alguns minutos de distração, mas foi o suficiente para que João Rafael Kovalski, de 2 anos, desaparecesse da casa onde morava com a família no interior do Paraná. O drama da família começou no dia 24 de agosto. Sem recursos para uma investigação própria, Lorena e Lucas, os pais do garoto, começaram uma campanha no Facebook e já conseguiram denunciar o desaparecimento do filho em todo o Brasil, Estados Unidos e Europa.

Lorena Kovalski conta que a família e amigos fizeram uma busca em toda a região, incluindo em um rio próximo da casa, mas nada foi encontrado, o que levou a polícia a suspeitar de sequestro internacional de crianças. Dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira de Busca e Defesa de Crianças Desaparecidas (ABCD) mostram que mais de sete mil pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, estão desaparecidos no Brasil, sendo que 23 no Paraná.

Tanto a associação, organizada por mães que buscam seus filhos desaparecidos, quanto o governo federal brasileiro através da Secretaria de Direitos Humanos, não tem dados atualizados. No Paraná, os dados mais recentes são de 2011. De acordo com a mãe, as possibilidades de João Rafael ter ido sozinho até o rio são mínimas já que ele ainda anda com dificuldades e precisaria atravessar uma área de difícil acesso. "Ele não teria como chegar lá em tão pouco tempo, sem cair pelo caminho e se machucar", acredita. Lucas Kovalski acredita que a polícia já tenha pistas, mas para não atrapalhar as investigações a família não é informada dos detalhes. "Depois do que aconteceu com a gente ficamos sabendo que isso ocorre no Paraná, e em casos envolvendo crianças pequenas a primeira suspeita é de tráfico internacional de crianças", revela.

A família lembra que eram onze da manhã quando o menino que brincava no quintal da casa dos avós decidiu ir procurar a mãe. As duas casas dividem o mesmo muro e João, assim como sua irmã gêmea e dois outros irmãos são acostumados a transitar entre os dois quintais, mas o garoto nunca chegou à casa dos pais. A família mora na zona rural de Adrianópolis, a 130 quilômetros de Curitiba. O caso aconteceu cinco dias antes do menino e sua irmã gêmea completarem dois anos.

Lorena e o marido também estão preparando uma passeata na cidade de São Paulo no dia 12 de outubro (sábado) "Dia das Crianças" para lembrar as autoridades brasileiras de que as buscam por João Rafael devem continuar. Outras mães que passam pelo mesmo drama no Brasil também estão participando na página criada no Facebook e contando suas histórias.

Por Joselina Reis / Achei USA

terça-feira, julho 30, 2013

Ana Carolina e Ana Carina Cortez estão desaparecidas

Gêmeas de 15 anos somem e mãe teme aliciamento para drogas no Mato Grosso.

As gêmeas Ana Carolina e Ana Carina Cortez Crisóstomo, de 15 anos, estão desaparecidas desde a última quinta-feira (25) e a família não tem nenhuma pista de onde possam estar. A única suspeita da mãe é de que tenham fugido com um rapaz, que supostamente seria traficante de drogas, e estejam sendo aliciadas para o tráfico, principalmente por serem menores de idade. Elas moravam no Bairro Parque Del Rey, emVárzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

Janaina Ediléia Cortez, mãe das gêmeas, disse não saber do suposto relacionamento de uma das filhas com esse jovem e que soube pouco antes do desaparecimento delas. "Não sabia desse envolvimento dela com ele. No dia em que elas desapareceram, um primo delas me contou ter visto a Ana Carina com esse rapaz em uma esquina, mas ela negou. Só que, como castigo, peguei o celular delas e as deixei em casa. Quando voltei, elas já tinham saído", contou ao G1.

O comportamento das filhas, segundo ela, nada tem a ver com o jeito delas, porque não costumavam agir com rebeldia. Janaina avaliou que a filha teria sido iludida por esse rapaz, mas não imagina o motivo pelo qual a outra filha tenha ido junto com a irmã. "Ele está usando ela [Ana Carina] para o tráfico, porque não teria outro interesse com elas", enfatizou ao se dizer desesperada por não saber onde as filhas se encontram e com quem realmente estão.

Um primo desse rapaz chegou a ser detido pela polícia no final de semana, mas depois de contar que manteve contato com as gêmeas, por telefone, e que estavam na companhia desse homem, foi liberado. "Já procurei a família desse rapaz, mas eles não querem me passar informação porque acham que minhas filhas são erradas, mas sou mãe e elas só têm 15 anos", desabafou.

Agora, a mãe levará a fotografia das filhas para o Núcleo de Desaparecidos, da Polícia Civil. Janaina contou que as filhas levaram os documentos de identidade e algumas roupas. As gêmeas cursam a 8ª série do ensino fundamental. "Sempre fizemos de tudo por elas. Somos humildes, mas nunca deixamos que nada faltasse para elas e não há nada que as levasse a fazer isso. Não andam com más companhias, sempre vão à igreja, nada foram do comum. Acho que alguém esteja induzindo elas a isso", avaliou. Por Pollyana Araújo / G1 MT

segunda-feira, julho 29, 2013

Garoto de 6 anos está desaparecido desde maio (MG)

(Claudinei está desaparecido desde maio / Foto Reprodução / Inter TV)

Menino de 6 anos de Várzea da Palma em Minas Gerais, continua desaparecido. Claudinei desapareceu em 12 de maio quando voltava para casa.

Após mais de dois meses e meio, o menino Claudinei Marques da Silva, ainda continua desaparecido. Segundo a família, o garoto de seis anos, sumiu no dia 12 de maio. O principal suspeito é Admilson Nunes, que já cumpriu pena por estupro na cadeia pública da cidade. De acordo com a polícia, ele teria cometido dois crimes desse tipo, além de uma tentativa.

Edilson Pereira da Silva, pai do garoto, diz que eles voltavam para casa após um almoço, quando Claudinei a irmã gêmea correram na frente. A menina contou aos pais que Admilson abordou o irmão e o levou de bicicleta. Ainda segundo ele, a família não tinha contato com o suspeito, apenas o viam no bairro, já que ele namorava uma vizinha deles.

"Ninguém aqui em casa tem vida e conforme o tempo passa a agonia e o desespero aumentam. Quem sofre mais é minha filha, que é muito apegada ao irmão, eles faziam tudo juntos, às vezes encontrou ela no quarto chorando", fala Edilson. Ele ainda conta que teve que vender os bens da família, um lote e uma moto, para continuar as buscas pelo filho. "Dependo da ajuda das pessoas, nem consigo pensar em trabalhar, meus dias são destinados a tentar encontrar Claudinei", desabafa.

Edilson conta que a última notícia sobre o paradeiro de Claudinei veio de uma pessoa que afirmou ter visto o menino em São Romão. "Logo que recebi a notícia dei um jeito de ir, fiquei lá por três semanas, mas não consegui achar nada."

O delegado responsável pelo caso, Fernando Vetorazo, disse que não poderia entrar em detalhes quanto ao andamento do caso para não atrapalhar as investigações, mas afirmou que mais de 20 pessoas foram ouvidas, buscas em Várzea da Palma e nas cidades vizinhas foram realizadas. A Justiça expediu um mandado de prisão temporária contra Admilson Nunes.
Por Michelly Oda / G1 Minas Gerais

segunda-feira, julho 08, 2013

Percussionista desaparece após show no Ceará

O percussionista Antônio José, da Banda Pagobio, de Piracuruca, está desaparecido há quatro dias após ir a um show no município de Sobral, no Ceará. O jovem, que cursa Administração em Piripiri, saiu em companhia de dois amigos e não retornou. As tias do rapaz de 23 anos que é gêmeo e órfão se dirigiram ao Ceará para registrar Boletim de Ocorrência.

De acordo com Marcos Bio, proprietário da banda, o jovem saiu na última quarta-feira, 03, para assistir a um show da Banda Aviões do Forró e provavelmente havia ingerido bebida alcoólica quando foi deixado pelos amigos. "O que os amigos contaram a família é que saíram com umas garotas e deixaram o Antônio José na praça. Quando voltaram já quase de manhã, ele não estava mais lá e o procuraram, mas não encontraram nem pistas", diz o empresário.

Ainda de acordo com Bio, os dois celulares de Antônio José estão desligados e família já registrou B.O em Piracuruca. "As tias dele estão em Sobral para também registrar Boletim de Ocorrência e vai querer formalmente explicações destes amigos que estavam com ele", finaliza Marcos Bio.

Por Graciane Sousa - Especial para o Cidadeverde.com

quinta-feira, junho 06, 2013

Procura-se Luis e Luiza de Freitas Laurindo nascidos em Maringá (PR)

(Foto Ilustrativa)

Os gêmeos Luis de Freitas Laurindo e Luiza de Freitas Laurindo, nascidos dia 24 de março de 1964 em Maringá, estão sendo procurados pelos seis irmãos. Para conseguir pistas, a família recebe ajuda de Rosiclei de Freitas Cardoso, que desde 2004 dedica-se a procurar pessoas que perderam o contato com parentes e amigos. Segundo Rosiclei, eles nasceram em uma fazenda na região de Maringá, norte do Paraná.

"A mãe deles morreu depois de 28 dias e então o pai os deu para famílias diferentes", conta. Rosiclei diz que os irmãos não tem pistas sobre o paradeiro dos gêmeos. "Nem os nomes dos pais adotivos eles sabem, porque não foi uma adoção legalizada. O pai biológico dos gêmeos já morreu, sem que os irmãos soubessem informações que auxiliassem as buscas. Uma pista que talvez ajude é que eles são negros", diz.

Os gêmeos são filhos de Francisca de Freitas Laurindo e Afonso Laurindo. Os irmãos são Aparecida de Freitas Laurindo, Severina de Freitas Laurindo, Maria de Freitas Laurindo, Sebastião de Freitas Laurindo, José Caetano de Freitas Laurindo e Antônio de Freitas Laurindo. (Fonte: O Diário Maringá)

Quem tiver alguma informação a respeito dos gêmeos desaparecidos mencionados acima, favor entrar em contato com Rosi, no telefone 
(44) 9881-5369 ou através do e-mail: rosi_fcardoso@yahoo.com.br

quinta-feira, abril 11, 2013

Menachem procura seu irmão gêmeo, Jeno.

"Procura-se um irmão gêmeo desesperadamente" Por Diogo Bercito

As memórias da infância são fracas. Mas elas ainda incluem a imagem da chegada dos oficiais nazistas que, em 1944, o levaram à força para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Menachem tinha quatro anos de idade.

No mês passado, 68 anos depois, ele foi ao Facebook em busca de outra coisa da qual ele ainda se lembra: Jeno, seu irmão gêmeo.

Ambos viveram juntos no campo de concentração, mas foram separados dias antes da libertação dos cativos. Eles nunca mais se viram. Menachem (foto) chamava-se Elias Gottesmann, àquele tempo. Mudou de nome ao ser adotado, e não revela o novo sobrenome. Da mesma maneira, Jeno também pode ser conhecido hoje por outro nome. Pode morar em outro país. Pode não saber que tem um irmão gêmeo.

As informações conhecidas sobre Jeno são, na verdade, limitadas a um código: A7734, registro tatuado no antebraço do garoto durante os tempos de campo de concentração. Com base nessa sequência de números e uma letra, a historiadora Ayana KimRon tem auxiliado Menachem na busca por seu irmão, criando a página do Facebook e pedindo qualquer informação sobre um homem que, em algum lugar do mundo, tenha aquele código tatuado no braço. A parceria entre KimRon e Menachem começou em maio de 2012, quando ela leu um recado deixado em nome dele em um fórum on-line para consultas de genealogia.

"Um dia, vi um relato com quatro frases. Eu nunca tinha ouvido falar em uma história assim", me diz a historiadora por telefone. Ela concordou em encontrar-se com Menachem, que lhe disse que mais ninguém havia respondido ao apelo on-line. "Percebi que, se eu não o ajudasse ninguém o ajudaria". A partir das memórias de Menachem, KimRon descobriu que ele havia nascido na Ucrânia, um dos pontos iniciais da pesquisa. "Ele não acreditou em mim, inicialmente", diz. Em seguida, ela encontrou a família biológica de Menachem.

Enquanto eu escrevia este relato, a página de Facebook criada por KimRon tinha sido recomendada por mais de 23 mil usuários. A historiadora aposta na possibilidade de que, ao rodar o mundo, a foto de Menachem quando criança e a história de seu irmão possam trazer de volta mais informações sobre o menino que tinha o código A7734 tatuado em um braço."A perseguição dividiu famílias. Mas está no sangue judeu procurar por familiares" diz KimRon.  
Por Diogo Bercito / Folha de São Paulo

quarta-feira, abril 10, 2013

Emerson Batista de Aniceto procura o irmão há 40 anos!

Emerson Batista de Aniceto procura o irmão gêmeo há 40 anos!

Há quase quatro décadas, Emerson Batista de Aniceto, 40 anos, não consegue andar despreocupado pelas ruas. Ele está sempre olhando de um lado para outro com o objetivo de se reconhecer em algum dos rostos que passam por ele diariamente. Até mesmo no semáforo, ele confessa que observa todos os motoristas ao redor. O objetivo é realizar o sonho de encontrar um dia seu irmão gêmeo idêntico, desaparecido ainda na maternidade, com 26 dias de vida.

Mesmo sem ter sequer convivido com o irmão, ele não deixa de se emocionar ao falar de Elson Batista de Aniceto, nome de registro. "Fico imaginando se tivesse tido a companhia dele na infância para brincar comigo, e até mesmo depois de adulto poder dividir as alegrias e também tristezas", resume.

A mãe dos gêmeos, Maria da Piedade Pereira, hoje com 77 anos, deu entrada na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga, em 22 de novembro de 1972, para parir um bebê. Horas depois, a surpresa: eram dois meninos. "Naquela época não se acompanhava a gestação com frequência. Então, nunca fiz nenhum exame", relembra Maria.

O mais fraquinho, Elson, teve que ficar mais uns dias internado para ganhar peso, enquanto a mãe e o outro bebê foram liberados. O pai, José Nonato de Aniceto, 77 anos, era o encarregado de visitar o filho. "Ela só pode ir uma vez por conta do resguardo, e também para cuidar dos filhos", justifica o aposentado.
Os dois tiveram dez filhos.

Os dias de visitas, dois por semana, eram sagrados para seu Nonato, até que 26 dias depois da internação, o pai se deparou com o início de um drama familiar que se estende há 40 anos. Ao dar entrada mais uma vez ao berçário, ele logo deu falta da criança. Por Soraya Sobreira / Jornal de Brasília

Marco Aurélio Simon desaparecido em 1985

(Marco Antonio, irmão gêmeo de Marco Aurélio em foto tirada por volta de 2006)

(Foto de Marco Aurélio, e seu pai com o cartaz 'procura-se' 
na época do seu desaparecimento)

O misterioso desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon
No dia 08 de junho de 1985, um grupo de cinco pessoas, sendo quatro garotos do grupamento de Escoteiros Olivetanos, subiram rumo ao Pico dos Marins, situado na divisa dos municípios de Piquete e Cruzeiro, na Serra da Mantiqueira. Possui 2.420,7 metros de altitude e é considerado o 2º maior pico do estado de SP.

O grupo era formado pelos escoteiros Marco Aurélio Bezerra Bosaja, Ricardo Salvione, Osvaldo Lobeiro, Ramatis Rohm e pelo instrutor e líder do grupo, Juan Bernabeu Céspedes. Porém, um participante não retornou dessa trilha. Aos 15 anos, Marco Aurélio Simon desapareceu de uma forma misteriosa, sem deixar qualquer tipo de pista ou rastro, contou o pai, Ivo Simon.

Na excursão, o escoteiro Osvaldo Lobeiro se machucou, e Marco Aurélio, como monitor da equipe, se ofereceu para ir à frente do grupo abrindo caminho e em busca de socorro – e teve o consentimento do líder. Ele desapareceu sem deixar qualquer vestígio. Quase 30 anos após o desaparecimento de Marco Aurélio, a família ainda sofre, mas ainda mantem a esperança. O jornalista Ivo Simon e sua esposa Thereza Neuma, não acreditam na morte do filho desaparecido.

(Vista do Cume do Pico dos Marins, local do desaparecimento de Marco Aurélio)

Durante 28 dias, mais de 300 pessoas entre voluntários, bombeiros e equipes especializadas em salvamento e busca na selva, vasculharam a região do Pico dos Marins, a pé, com helicópteros e com um avião da força aérea. Sem sucesso. Nenhum corpo, nenhum pedaço de roupa ou rastro na terra foi achado. Foi como se Marco Aurélio tivesse "evaporado". A polícia procurou tão bem e de forma tão minuciosa, que um soldado perdeu uma faca no meio do mata e, na busca do dia seguinte, ela foi encontrada. Mas não houve pistas de Marco Aurélio. “Foi uma das maiores buscas já realizadas no país” disse Ivo Simon. A família desesperada percorreu o Brasil em busca de qualquer notícia.

Marco Aurélio Simon era um garoto curioso. Tudo o que fugia do convencional despertava seu interesse. Na adolescência, além de se dedicar ao escotismo, chegou a fazer um curso de detetive por correspondência, tamanho era o seu interesse pelos mistérios do mundo. Mas foi a sua própria história que acabou se tornando um dos mais intrigantes enigmas ocorridos em terras brasileiras.

Marco Aurélio tem um irmão gêmeo e de acordo com a passagem do tempo - principalmente os pais - ficam imaginando como estaria seu filho na atualidade, observando o outro filho, Marco Antonio, irmão idêntico de Marco Aurélio. 


Em 2006 o jornalista Rodrigo Nunes, lançou o livro "Operação Marins - O Sumiço do Escoteiro Marco Aurélio", onde conta os detalhes do desaparecimento e busca pelo escoteiro Marco Aurélio Simon. Em 2008, o autor lançou um segundo livro "Operação Marins 2 - Novas Descobertas", complementando os fatos sobre o caso do escoteiro desaparecido.

Em 1990, o inquérito policial foi arquivado sem conclusão. O caso do desaparecimento do escoteiro Marco Aurélio Simon se transformou em um dos mais incríveis desaparecimentos inexplicáveis do mundo. (Fonte: Blog Além da Imaginação)

sexta-feira, dezembro 14, 2012

"Adoção" Por Juliana Falcão

(Ricardo Fischer e família)

Meu filho quer conhecer a mãe biológica, e agora?

Para muitos pais adotivos ver o filho do coração movendo céus e terras em busca dos pais biológicos parece ser algo doloroso. Mas para quem foi adotado esta é uma forma de descobrir de onde veio, de por um ponto final em certos estereótipos e de preencher uma enorme lacuna.

Ricardo Fischer de Porto Alegre (RS), foi adotado aos 2 anos de idade e por volta dos 6 anos começou a perceber que algo não se encaixava direito em sua vida. "Eu era diferente dos meus irmãos. Além disso, fui adotado nos anos 60, época em que havia muito preconceito, e as pessoas não me olhavam ou me tratavam da mesma maneira que meus irmãos", lembra.

Sedento por explicações, Ricardo começou a questionar a mãe sobre o assunto, mas ela sempre procurava não esclarecer o assunto, dizia que ele era muito novo para entender. Até que, aos 12 anos, durante uma briga, uma terceira pessoa disse que ele não era da família, que era adotado. Foi a confirmação que Ricardo precisava. "Geralmente os filhos adotivos descobrem a verdade por meio de brigas em família ou disputas por herança", comenta.

Mesmo após saber a verdade, a mãe adotiva não quis tocar no assunto, contar toda a história. Até que entre 15 e 16 anos, Ricardo aproveitou que estava sozinho em casa, foi até o quarto da mãe, mexeu numa caixa de documentos e achou os papéis da sua adoção. Lá tinha a data em que ele havia deixado o abrigo, o nome da sua mãe biológica e outras informações que precisava para iniciar sua busca.

"Fiquei de castigo por ter mexido nas coisas dela, mas depois de muita insistência minha mãe me contou tudo. Depois ficou desesperada, achando que eu iria embora, mas expliquei para ela não queria buscar uma família, mas sim uma origem, saber de onde eu tinha vindo. Só quem passa por isso sabe dessa necessidade", afirma.

Na época em que Ricardo iniciou sua busca não tinha internet e foi preciso recorrer ao juizado e à Polícia Civil. Mas, como era menor de idade, teve que convencer a mãe adotiva a lhe ajudar. "Ela se revoltou no começo, mas fui mostrando para ela que precisava da informação para completar minha história e ela acabou passando para o meu lado."

É difícil de acreditar, mas até os sete anos de idade Ricardo morou com a família adotiva em frente ao prédio onde viviam a avó e a mãe biológicas. Talvez até tenha cruzado com uma delas. Até um detetive o rapaz chegou a contratar para lhe ajudar, mas sem sucesso. Depois de muita persistência, Ricardo achou um tio que lhe deu as informações para localizar sua mãe biológica. "Esse tio também havia me dito que eu tinha um irmão gêmeo, que procuro até hoje", conta.

O encontro de Ricardo com a mãe, que também morava em Porto Alegre, foi emocionante, marcado por uma longa conversa recheada de explicações. "Minha mãe biológica contou que havia sido vítima de preconceito familiar. Ela era de família de classe média alta, era solteira, ficou grávida e meu avô a botou para fora de casa. Chegou a ficar um tempo com a gente, mas quando não conseguiu mais nos sustentar nos levou para uma instituição", conta. "Hoje conheço meus pais, avós e tios biológicos. Vejo-os como amigos, pois não há vínculo afetivo."

Ricardo conta que sua vida mudou muito após esse encontro, principalmente porque seus pré-conceitos caíram por terra. "O ser humano fantasia muito as coisas. Por que sou adotado? Por que não me quiseram? Eu não valia nada? A adoção hoje é tratada como uma mentira. A gente, sem saber a verdadeira história, acaba se culpando por ter sido adotado. Por isso é importante a família adotiva contar a verdade, para que o filho não se sinta enganado".

Ricardo conta que 90% das mães evitam contar a verdade com medo de perder o filho que adotou. Mas ele reforça que a procura pela mãe biológica não vai gerar vínculo afetivo, é uma necessidade que a pessoa tem de saber de onde veio. "O filho adotivo tem direito de saber quem ele é."

E é importante lembrar que o medo do que e de quem vai encontrar não é só dos pais. Os filhos, ansiosos por encontrar a mulher que os gerou, acabam idealizando o físico e o psicológico da mãe biológica. Mas eles precisam estar preparados para encontrar o melhor ou o pior do outro lado.

O criador da ONG Filhos Adotivos do Brasil, ressalta ainda que essa necessidade de conhecer a família biológica também é medica. "Quando você vai a uma consulta o especialista pergunta se alguém da família tem alguma doença. Eu fiquei diabético e descobri que meu avô e minha mãe são. É um tipo de diabetes hereditária. Se eu não soubesse da minha história verdadeira essa informação se perderia", diz.

Para preparar pais e filhos adotivos para esse momento que, segundo Ricardo, é inevitável, a ONG possui um curso que instrui as mães para a adoção, de forma que elas entendam a importância de falar a verdade para o filho adotivo e deixá-lo procurar por quem o gerou.

"Geralmente o filho adotivo tem a noção real da adoção na adolescência. Aí começa a vontade de procurar as origens. O problema é que os pais adotivos não sabem lidar com esse momento e acham que o filho é ingrato. Mas não é assim. A verdade precisa ser contada", defende do criador da ONG.

A preocupação de Ricardo em preparar os pais adotivos para esse processo está no fato de que muita gente não tem noção do que é adotar. "Levar uma criança para casa não é como adotar um gatinho ou um cãozinho A criança vai chegar com uma bagagem de rejeição e de abandono muito grande. E quando a relação não é como os pais pensavam, eles chegam a devolver a criança, gerando uma rejeição ainda maior." afirma.

Mesmo com a mudança na Lei Nacional da Adoção (nº 12.010/2009), que incluiu no Estatuto da Criança e do Adolescente o direito à revelação da origem biológica, o governo não tem facilitado o acesso a essas informações. "Muitas vezes os órgãos responsáveis não querem nos ajudar e temos que entrar com processo. A burocracia é maior, mas, felizmente sempre ganhamos, pois agora é lei", comemora Ricardo Fischer. Por Juliana Falcão (MBPress)

quarta-feira, outubro 24, 2012

Filhos Adotivos do Brasil – Por Ricardo Fischer II

José Ricardo Fischer (filho adotivo) buscou sua mãe por mais de 20 anos até encontrá-la. A busca pode ter sido demorada, mas era apenas o início de um algo muito maior: a partir de então, ele tem dedicado sua vida a promover encontros de adotados com suas próprias histórias e passado.

Mesmo ganhando a vida com trabalho em vendas, Ricardo Fischer, (46 anos), é o responsável pela Associação Filhos Adotivos do Brasil, uma entidade que, entre outras funções, destaca-se por realizar buscas de filhos adotivos com seus pais e outros parentes biológicos.


A associação já promoveu 428 encontros desde sua criação, em 2007. Carente de recursos, a entidade trabalha com mais seis voluntários. “No último ano, fizemos apenas 36 encontros, pois muitas vezes acabo bancando algumas despesas com meu próprio orçamento pessoal.

Alguns casos se resolvem com um simples telefonema, outros enfrentam burocracias custosas, que andariam muito devagar se dependêssemos somente do recurso público”, explica Fischer. Atualmente, há mais de 2.500 filhos adotivos cadastrados na fila de buscas.

Mães que abandonam

Encontro Ricardo Fischer num café do Mercado Público de Porto Alegre. Ele tem aquele jeito de falar olhando nos olhos, baixando a cabeça e mirando no hiato entre os óculos de grau e a sobrancelha. E também parece ter uma paciência infinita: não se importa em contar a história de sua própria busca pelos pais biológicos, que já deve ter repetido milhares de vezes.

“Um preconceito muito presente quando falamos disso é sobre as mães abandonantes, demonizam-se as mães, é preciso ter cuidado com isso”. Sim, é até difícil de imaginar, ou então lembrar, que há não muito tempo atrás, cerca de 20 ou 30 anos, a gravidez de uma menina de 16 anos era como uma condenação à penúria pelo resto da vida. Quando não eram expulsas de casa em favor da “honra” da família, milhares de brasileiras eram coagidas a fazer aborto ou então cumprir sua gestação em outra cidade e entregar o bebê para a adoção.

A mãe de Ricardo Fischer era uma dessas tantas meninas que teria condições financeiras de criar seu bebê e que, no entanto, acabou entregando-o para adoção devido às imposições morais. Aliás, no caso de Ricardo, sua mãe acabou entregando não apenas um, e sim dois filhos para a adoção. “Só quando encontrei minha mãe biológica descobri que tinha um irmão gêmeo... é provável que sua adoção tenha sido ilegal, por isso não consigo encontrá-lo”, ele revela com certo pesar antes de pedirmos mais um café para estendermos a conversa.

Adoção na imprensa

É nesse momento que me sinto à vontade para contar minha profunda irritação sobre a maneira piegas como tema da adoção é tratado nos meios de comunicação. “Nem me fala, também fico cansado com essa história de ‘filhinho do coração’, de pintar como se tudo fosse fácil e lindo”.

De fato, a adoção parece ser tratada principalmente cm matérias voltadas a encorajar casais a adotarem, amenizando a carga sobre as dificuldade e peculiaridades dos adotados, o que eu faz deste grupo de pessoas se sentirem até mesmo culpados quando sentem necessidade de buscar suas origens.

Há alguns meses, Fischer teve oportunidade de ser entrevistado pela equipe do canal de televisão mais popular do Brasil. A entrevista seria exibida num programa de uma ex-animadora de palco infantil. “Fui entrevistado durante horas e toda minha energia foi no sentido de mostrar o lado solitário do adotivo, o momento em que se desperta a busca e suas dificuldades”, ele me revelou – e também não deixou de revelar certo desapontamento ao ver que nada disso foi ao ar.

Além do temor de que uma abordagem menos eufórica sobre adoção possa afugentar casais que queiram adotar, nossa conversa chegou em outro ponto que explicaria tais abordagens: a dificuldade do adotivo expressa seu sentimento em relação a sua condição. “É uma sensação muito difícil de explicar para quem não viveu essa experiência.”, diz Fischer num suspiro. Talvez seja até mesmo impossível. Mas vamos morrer tentando. (Fonte: Blog Alexandre Lucchese)

"Quanto ao meu irmão gêmeo posso dizer que mesmo o não tendo o conhecido sinto que falta um pedaço de mim, tenho a nítida sensação que ele faz parte do meu ser vivente como a metade da minha vida! Infelizmente vivemos em um país sem lei , onde muitas crianças foram tiradas dos seus pais a força e vendidas como simples mercadorias. Sabemos que o Brasil foi o campeão em adoções que separaram muitos irmãos, inclusive gêmeos, tornando nós seres humanos sem identidade" José Ricardo Fischer

E-mail: contato@filhosadotivosdobrasil.com.br

segunda-feira, julho 16, 2012

Veronisha procura sua irmã Veronique Adams

As gêmeas idênticas, Veronisha e Veronique Adams foram separadas aos 11 meses de idade, quando Veronique foi raptada por sua babá em 06 de março de 1989. A família morava em Finch Street, Eldorado – na África do Sul.

Agora, Veronisha está divulgando sua história nas redes sociais, para quem sabe conseguir reencontrar sua irmã gêmea depois de 23 anos!

"Meus amigos estão postando minhas fotos no Facebook, na esperança de que alguém saiba onde está minha irmã e me avisa. Eu sinto que Veronique está viva", disse Veronisha

Em 2005, Jacobus Adams, pai das gêmeas, morreu de um ataque cardíaco, e a mãe, Junice Adams, acredita que a causa era a dor de sua filha desaparecida.

Quem tiver informação da gêmea desaparecida, Veronique Adams, favor entrar em contato com a repórter pelo e-mail: shaun.smillie@inl.co.za

Por Shaun Smillie / IOL News / Foto: Mujahid Safodien

quarta-feira, março 14, 2012

Filhos Adotivos do Brasil – Por Ricardo Fischer I

Desde julho de 2007 a Associação Filhos Adotivos do Brasil, tem como objetivo principal promover e ajudar filhos adotivos a encontrarem suas famílias biológicas, bem como, suas famílias encontrarem seus filhos. Através deste trabalho - único no país - mais de 400 pessoas já puderam reencontrar-se com suas origens.

O idealizador do projeto é José Ricardo Andrade Fischer (foto) que por ser filho adotivo e ter vivido muitos impasses devido à causa, resolveu criar a associação sem fins lucrativos. Seu relato é um retrato fiel de como pode ser difícil o reencontro com os pais biológicos.

José Ricardo Fischer foi abandonado em um orfanato com 1 ano de idade. Aos 2 anos foi adotado por uma família de classe média. Ainda pequeno, soube que não era filho biológico. Adolescente, revelou aos pais o desejo de conhecer a mãe verdadeira. “Não obtive ajuda. Chegaram a me dizer que ela tinha morrido”, afirma Fischer.

Aos 15 anos, ele achou o documento de doação, em que constava o nome da mãe: Ana Aurora Vilarinho. Por muitos anos, fez pesquisas em cartórios. Tudo em vão. Prestes a ser pai pela primeira vez, aos 27 anos, intensificou as buscas e encontrou um tio juiz.

Descoberto o paradeiro da mãe, foi atrás dela no mesmo dia. Ana Aurora estava trabalhando como mesária nas eleições em Viamão, no Rio Grande do Sul. “Nosso primeiro encontro aconteceu num ginásio com mais de mil eleitores. Eu a reconheci de longe. Foi instintivo”, diz Fischer.

A procura não parou aí. Fischer descobriu que tinha um irmão gêmeo, também dado para adoção. Expulsa de casa grávida, Ana Aurora não tinha condições de criar dois bebês. Fischer buscou pistas sobre o irmão, mas não obteve a ajuda da mãe biológica. Com o tempo, os dois se afastaram.

“Ainda tenho esperanças de encontrar meu irmão”, afirma. Do encontro com a mãe surgiu a idéia de fazer um site que fosse um espaço para a troca de experiências e rede de informações.

Site: www.filhosadotivosdobrasil.com.br
E-mail: contato@filhosadotivosdobrasil.com.br
Fone: (51) 8415 5225

terça-feira, maio 31, 2011

Élsio, gêmeo de Emerson está desaparecido!

(Sr José Nonato, Maria da Piedade Pereira e o filho Emerson)

Aos 76 anos, Maria da Piedade Pereira e José Nonato de Aniceto alimentam um medo nada secreto: o de morrerem sem conhecer o filho. Em 22 de novembro de 1972, a dona de casa deu à luz gêmeos idênticos, no Hospital São Vicente de Paula, em Taguatinga, Distrito Federal. Mas teve de deixar o local com apenas uma criança nos braços, à qual deu o nome de Emerson. O outro menino, Élsio, desapareceu, sem nenhuma explicação, de dentro do hospital.

Os pais nem sequer chegaram a tocar no filho. Não restou foto de recordação. Nasceram prematuramente e Élsio precisou ficar na incubadora para ganhar peso. Depois de 26 dias de espera pela recuperação do menino, o pai foi buscá-lo. Ao chegar ao hospital, porém, recebeu a notícia de que o filho simplesmente não estava mais ali.

O pai pediu satisfação a médicos, enfermeiros e a quem mais encontrou pelo caminho. Um dos profissionais informou a José que o filho dele, provavelmente, estaria morto. Mas não apresentou atestado de óbito ou qualquer documento que justificasse a suspeita. José insistiu em falar com o diretor da unidade de saúde. O homem que o recebeu deu apenas um conselho: "Esqueça essa história. Melhor não mexer com isso".

A época era de repressão, ditadura. José e Maria temiam reclamar. "Saí do hospital atordoado. Nem sei como cheguei em casa", lembrou o pai. Eles iniciaram uma busca solitária pelo menino. Hoje, 38 anos depois, Maria e o carpinteiro José ainda têm esperança de encontrar o rapaz. Quando anda pela rua, a mãe sempre mantém o olhar atento.

Depois de ir a muitas delegacias e pedir ajuda a todo tipo de gente, a família Aniceto decidiu lançar uma campanha na internet, em busca de qualquer informação sobre Élsio. A família mantém a certeza de que o rapaz está vivo. "A gente sente que ele não morreu, que foi roubado, ganhou uma nova família, outro nome e vive sem saber de onde veio. Só queria conhecê-lo", afirmou Maria.

"Emerson só ficou sabendo aos 7 anos que tinha um irmão gêmeo, quando a gente foi matriculá-lo na escola. A professora viu no registro que eram gêmeos e perguntou se o outro não ia estudar. Tive de explicar todo o problema", lembrou Maria. Quando ela chegou à maternidade, não sabia que esperava dois bebês. Não fez o pré-natal nem recebeu qualquer acompanhamento médico durante a gestação.

Antes de ter Élsio e Emerson, Maria já tinha dado à luz dois outros gêmeos. "Eles também precisaram ficar na maternidade até ganhar peso. Por isso, estranhei quando só o Élsio teve de ficar no hospital. Eu nunca ia imaginar uma coisa dessas, que meu filho ia sumir como se fosse poeira no ar", conta Quem tiver informações favor ligar para José ou Maria. Fone: (61) 3371-3213

Artigo de Leilane Menezes para o Correio Braziliense.

Matéria indicada pela leitora Ana Claudia Vargas.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Mar Soriano procura sua irmã gêmea!

"Mar Soriano é uma ativista espanhola que afirma que sua irmã gêmea foi roubada do hospital pouco após o nascimento como parte de um esquema de sequestro de bebês durante a ditadura franquista.

Mar preside uma organização que faz campanha na Justiça pelo esclarecimento do suposto desaparecimento de milhares de bebês na Espanha. Ela contou que sua irmã desapareceu em 1964, após o parto, na clínica O'Donnell, em Madri. “Disseram aos meus pais que minha irmã tinha morrido de otite (inflamação no ouvido). Quem morre de otite? Não permitiram que visse o corpo, disseram que já havia sido enterrado em uma vala comum”.

A história ficou guardada na sua memória até 1997, quando, em uma cidadezinha nos Alpes alemães, foi abordada por um desconhecido. "Fui fazer uma conferência. Ele começou a falar comigo em alemão e eu não o entendia. A tradutora me explicou que ele estava certo de que eu era de uma família que ele conhecia. Ele insistiu, deu detalhes e, de repente, pensei que deveria se tratar de minha irmã", conta Mar. Mais tarde, Mar tentou contatar o homem que a abordara na Alemanha, mas sem sucesso.

Após esse episódio, ela se deparou com vários casos como o seu. Aos poucos, foi formada a Plataforma de Crianças Roubadas, da qual Mar é porta-voz. "Criamos a Plataforma e apresentamos os casos à Audiência Nacional para investigação, mas não ligam para nós, querem que esqueçamos. O Estado teria de investigar esse tema e não deixar as buscas a cargo das famílias", disse ela.

Franco comandou regime ditatorial na Espanha de 1939 a 1973 . Ainda no início do franquismo foram montados os esquemas em clínicas e hospitais de redes que roubavam e logo vendiam as crianças. Beatriz, a irmã de Mar, teria desaparecido desta forma. Mar Soriano não perde a esperança: "Sempre sonho com nosso encontro, em podermos ser amigas, apesar desta coisa terrível que aconteceu conosco". BBC Brasil

(Foto Ilustrativa / Fonte: Estadão)

terça-feira, outubro 05, 2010

Colin Cadier

"Cara Jemima,

Antes de qualquer coisa eu gostaria de parabenizá-la pelo seu muito interessante blog! Desde 2006 ando pesquisando na internet sobre gemelidade. Meu interesse por este fascinante assunto é pessoal.

Eu nasci no dia 14 de fevereiro de 1980 na maternidade Prof. Barros Lima em Recife (PE). O parto gemelar foi natural e sem complicações. O nome da mãe biologica que consta na escritura publica de adoção é Maria Carmita dos Santos (solteira na época). Nos meus primeiros dias me chamaram Geraldo.

Eu e meu irmão fomos entregues para adoção, pois nossa mãe biológica era solteira, jovem, analfabeta e sofria de violência doméstica. Poucos dias depois fomos internados, porque nossa saúde estava comprometida. Soube que meu irmão gêmeo faleceu e o orfanato conseguiu uma família adotiva (um casal de franceses) que tomaram as devidas providências e me adotaram.

Minha mãe adotiva que não conseguia engravidar apesar de inúmeros tratamentos, soube que estava grávida dois meses depois de ter me adotado. Nasceu minha irmã antes que eu completasse meu primeiro ano de vida. Três anos mais tarde ganhamos um irmãozinho e mais uma irmãzinha em 1989 (ambos biológicos também).

Fui criado com muito carinho e amor sem diferença de tratamento a não ser de ser o primogênito. Meus pais sempre me falaram sobre minhas origens (desde muito cedo), pois eu sou pardo e meus irmãos são todos loiros, de pele branca.

Moramos em Recife até que eu completasse doze anos. Depois de morarmos por cinco anos no Equador, meus pais resolveram voltar para a França onde realizei minha graduação e pós-graduação. Considero ter tido muita sorte por receber uma boa educação, instrução acadêmica de primeira linha e sempre muito amor.

Em 2004, tive a oportunidade de trabalhar em São Paulo. Aceitei a proposta, dois anos depois o contrato acabou, mas resolvi ficar para consolidar minha experiência profissional em assuntos internacionais. Em 2006, iniciei uma investigação sobre o falecimento prematuro de meu irmão gêmeo.

Lamentavelmente, até hoje eu não achei absolutamente nenhum rasgo sobre minha gemelidade (nem no cartório onde fui registrado, nem nos arquivos da maternidade). No decorrer da minha investigação acabei descobrindo inúmeros artigos, pesquisas e estudos sobre as gestações e partos gemelares.

Obviamente os casos (aproximadamente 60 recenseados no mundo) dos gêmeos criados separadamente em famílias diferentes que se reencontraram décadas mais tardes chamaram mais minha atenção. Percebi que existiam muitos bancos de dados de gêmeos (Twins Registry) em vários paises.

No Brasil, apesar de um número cada vez maior de artigos científicos envolvendo estudos sobre gêmeos, não há ainda uma iniciativa para estruturar um banco de dados, porém eu não duvido que possamos nos surpreender!"

Abraços, Colin Cadier
Contato: colincadier@hotmail.com


Buenos Aires / Argentina

segunda-feira, agosto 16, 2010

Antônio Francisco Alves de Sousa procura sua metade

Há 27 anos, Antônio Francisco Alves de Sousa tenta encontrar seu irmão gêmeo idêntico. Os dois foram separados aos 15 dias de nascidos, no Piauí. Um foi criado por uma família de lavradores, o outro teria sido adotado por gente rica. Um é garçom. O outro seria médico. E assim, com o pouco que conseguiu saber, o homem sonha conhecer sua metade.

Tudo o que sabe é o que ouviu falar, o pouco que lhe contaram - com frases curtas, reticências e muito silêncio em meio a lágrimas. Tudo que viu encontrou em duas fotos antigas e desbotadas. E foi assim, sempre pela metade, que ele construiu um presente cheio de buracos.

Esta é a história deste piauiense de 47 anos, que luta sozinho para encontrar - literalmente - sua outra metade. Para que tudo isso se torne mais claro, é preciso voltar a 4 de outubro de 1962, em Teresina, capital do Piauí.  
Matéria de Marcelo Abreu para o Correio Braziliense